A fotografia que está dentro de nós… e baguncinha com a Dindinha!

setembro 18th, 2014

Quando comecei a estudar fotografia e conhecer um pouco mais sobre esse universo, eu queria fotografar o tempo todo. Fotografar tudo. Fotografar todas as pessoas. Era como se o mundo estivesse sempre enquadrado, nos meus olhos ou no meu visor. Por onde eu andava, estava sempre em busca de uma boa fotografia, e carregava a câmera pra todo lugar.

Com o tempo resolvi fazer da paixão uma profissão. (Fiquei devendo post sobre minha trajetória, né? Ele vai chegar!) Quando a paixão vira uma profissão, muitas coisas mudam. Não digo que pra melhor ou pior… simplesmente mudam.

A paixão pela fotografia continua. Talvez fique até mais madura e sólida, assim como um namoro que sai daquele fogo inicial e vai se consolidando com base em admiração, intimidade e respeito. Entretanto, o tempo pra fotografar o mundo inteiro fica mais escasso. O corpo fica mais cansado, após horas e horas estudando, atendendo cliente, fotografando, editando, respondendo e-mail, alimentando blog, escrevendo artigo, encontrando parceiros, administrando facebook, estudando mais etc. A câmera já não anda mais comigo como se fosse extensão do meu corpo. Equipamento é pesado, é caro, exige atenção o tempo todo… Normalmente vem comigo só quando é para trabalhar.

O que se prejudica com isso? As minhas lembranças. As lembranças da minha vida pessoal que vai sendo menos fotografada, ou ao menos não tão fotografada como eu gostaria. Às vezes até fotografo um pouquinho do meu cotidiano, eventos de família, viagens (essas eu fotografo bastante!), mas as fotos entram na fila de edição e vão sempre sendo deixadas pra depois, pois o trabalho não para (o que é ótimo!). Como resultado, aquele velho ditado… o que os olhos não veem, o coração não sente.

Diante desse incômodo, me propus a estar mais atenta à fotografia da minha vida. Afinal de contas, não sou fotógrafa apenas quando estou trabalhando para clientes… Antes dos clientes, ela já estava dentro de mim, vivendo alegremente. Tenho procurado ter tardes livres para sair com minhas chatinhas (é assim que carinhosamente chamo minhas companheirinhas Lu e Gabi) ou com amigos pra passear pela cidade. Parar pra ver um por-do-sol. Comer bolo de cenoura sem importar com a quantidade de açúcar que aquele pedaço de mau caminho traz consigo. E fotografar. Com celular, câmera profissional, câmera analógica, instax… Não importa. O que importa é ter dias gostosos e carregar lembranças deles.

Da mesma forma, me propus a editar com mais frequência fotos pessoais que estão na fila fazendo aniversário. E toda vez que faço isso é tão bom! Encontro verdadeiras preciosidades que me arrancam sorrisos e trazem boas memórias. E a cada vez que finalizo a edição de fotos pessoais, fica ainda mais forte um pensamento que tenho… Quem fotografa com o coração e faz disso uma arte, traz a fotografia consigo e coloca a sua essência em suas fotografias. Seu olhar está presente não só nos trabalhos, mas nas fotos do seu dia-a-dia, independentemente da ferramenta.

E eis que encontro as fotos de um dia em que recebemos uma visita muito especial. Nossa priminha Sophia foi passar um fim de semana conosco, ou melhor, com sua Dindinha Lu. Ela é o chamego da Lu desde que nasceu. A casa estava uma zona! Aquela zona de domingo que amanhece preguiçoso e só quer saber de sofá e filme. Que pode deixar pra arrumar as coisas mais tarde, quiçá na segunda. Que prefere pegar a câmera e fotografar a baguncinha dos amores.

Eu não apareço nas fotos. Mas estou ali. Vejo um pedacinho de mim em cada uma delas. E me delicio com a fotografia que é autêntica e está dentro de mim.

Uma semana depois… {sessão Boas Vindas}

setembro 2nd, 2014

Após uma semana do seu nascimento, tive o prazer de fotografar o Bernardo novamente. Dessa vez em uma sessão Boas Vindas bem diferente. Do jeitinho que eu gosto!

A Carol e o Rodrigo são do Sul e vieram pra Brasília por motivos de trabalho, o que é bem comum por aqui. Suas famílias vieram de longe para conhecer o mais novo torcedor do Inter (Será, Rodrigo? Acho que no que depender do pai…). E eu me senti privilegiada em fotografar esse encontro de gerações. É muito gostoso poder ver a alegria de uma família celebrando a chegada de um bebê. Conhecer um pouquinho dos seus costumes. Ver culturas se misturando e formando as raízes que, um dia, serão a base do pequeno Bernardo.

Em um determinado momento, ali com a família toda reunida, apareceu um álbum antigo de fotografias. E na minha frente se materializou a cena que tanto imagino quando entrego um álbum pra um cliente… Penso logo nos álbuns da minha família que guardamos com tanto carinho e que tantas vezes nos reuniram, nos fizeram rir, chorar, contar histórias. Verdadeiros tesouros. Nem preciso dizer que me emocionei. É pra isso que eu fotografo! Pra mim, essa é a essência da fotografia de família. Retratar momentos gostosos, únicos, que vão trazer boas lembranças no futuro. Despertar emoções.

E é essa essência que eu trago para as sessões Boas Vindas. Um olhar mais documental, que retrate aquele bebê que nasceu há poucos dias no seu ambiente. Ele se adapta ao novo mundo, do lado de fora da barriga, e todos se adaptam à nova rotina, que muda a cada dia. Gosto muito de fotografar bebês recém-nascidos com esse olhar, como já falei nesse post aqui.

E assim foi a sessão Boas Vindas do Bernardo. Cheio de autenticidade, leveza e alegria. Ele rodeado por aqueles que o amam. Por sua família… a base que vai carregar pro resto de sua vida.

Carol e Rodrigo, muito obrigada por apostarem em algo diferente do tradicional. Vocês não imaginam o carinho que tenho por esse ensaio e por vocês!

O Bernardo veio com o nascer do dia {parto domiciliar}

agosto 26th, 2014

Sabe aquela pessoa doce? E que está sempre com um sorriso embelezando seu rosto? A Carol é assim! Nos conhecemos na Roda de Gestantes da qual sou parceira. Mas foi em um dos cafés mais legais da cidade que pudemos nos conhecer melhor, conversar sobre a gestação, sobre suas expectativas a respeito do parto. Acompanhados de bom café e delicioso brownie, papeamos um bocado e eu percebi o quanto seria especial estar com aquele casal no dia do nascimento de seu filho.

No decorrer da gestação, eles foram buscando informações, se empoderando e  já na reta final, nas últimas semanas, optaram por um parto domiciliar. O universo conspirou pra que a vontade deles fosse atendida.

Na madrugada recebo uma mensagem no celular. Doce como a Carol, mesmo com as dores que trariam seu bebê, não poderia deixar de ser… Na mensagem ela dizia que estava com contrações bem doloridas e regulares e que daria notícias assim que o trabalho de parto evoluísse. Ao amanhecer, a mensagem que sempre me traz frio na barriga. Em outras palavras, na linguagem de bons entendedores, dizia “vem!”.

Eu que já estava com equipamento pronto, no meio do caminho pra não pegar trânsito caso fosse chamada cedinho, em poucos minutos estava na casa onde o pequeno Bernardo estava prestes a nascer. Encontrei Carol serena. Sentindo dor, mas serena. Concentrada no seu corpo, sentindo seu bebê mais perto a cada contração. Seu marido, Rodrigo, sempre tranquilo e companheiro. Serenidade e tranquilidade… casamento perfeito para um parto!

Foi um trabalho de parto bem rápido. Evoluía rapidamente, assim como o Sol vai ganhando o céu, ao nascer o dia. Tão rápido que no instante em que fui abrir a porta pra enfermeira que tocava a campainha, tendo em vista que era a única pessoa livre pra isso, Bernardo simplesmente escorregou. Ainda consegui fotografar a médica entregando o pequeno bebê a seus pais. E, em seguida, fotos que tanto adoro… A expressão dos pais ao verem seu bebezinho pela primeira vez. Aquele amor que, apesar de já existir durante a gestação, parece que cresce, se renova, como se fosse algo à primeira vista. Que imagens valiosas!

Tudo vira uma novidade. A cena que se configurava à minha frente era de dois pais completamente encantados por aquele bebê que acabavam de conhecer. Admiravam cada pedacinho daquele pequeno ser e, com seus olhares, o cobriam de promessas de amor e cuidado por toda a sua vida.

Bernardo nasceu respeitosamente em sua casa às 7h51, com 48 centímetros e 2,360 kg. Nas suas primeiras horas, recebeu a visita de seus avós, que eram pura felicidade.

Equipe que acompanhou a família:

Doula: Erica de Paula

Obstetra: Caren Cupertino

Enfermeira obstetra: Melissa Martinelli

A flor do cerrado {universo feminino}

agosto 13th, 2014

No meio do cerrado surge uma flor

Uma flor repleta de vida e exuberância

Exuberância de quem carrega mais uma vida consigo

E nessa tarde seca ela foi só beleza e plenitude

Preciso fazer ensaio de gestante?

agosto 7th, 2014

Pode ser que exista um planejamento, um desejo de anos, um sonho. Pode ser que tenha sido apenas mais uma surpresa do destino. Está lá o exame positivo dizendo que tem um pequeno ser crescendo no ventre de sua mãe. Sim, mãe! Em seguida, um turbilhão de sentimentos e hormônios vai se fazendo presente. Além desse turbilhão, algumas decisões práticas, e outras nem tanto, vão enchendo a lista das providências a tomar…  Escolher obstetra, ter uma alimentação mais saudável, pensamentos a respeito do parto, matricular na aula de yoga, pilates, hidroginástica, preparar o quarto do bebê, escolher um nome (ou não…), comprar umas roupinhas fofas, marcar ensaio de gestante… Pera! Para tudo!!!

Eu tenho que fazer um ensaio fotográfico da minha barriga? Mesmo não gostando de ser fotografada? Mesmo não estando no clima de fotos? Vou me arrepender se não fizer?

Durante esses últimos anos, tenho convivido com muitas grávidas e fotografado muitas famílias que esperavam por um novo bebê. Vejo mulheres radiantes, transbordando felicidade, se sentindo plenas e maravilhosas. Mas também vejo mulheres que não se sentem bem, seja física ou emocionalmente. Mulheres que se sentem cansadas, ou simplesmente mulheres que se sentem ótimas, mas que nunca gostaram de ser fotografadas.

Algumas me procuram empolgadíssimas para planejar a sessão, cheias de ideias, loucas pra verem fotos lindas de uma fase tão especial. Outras não têm tantas ideias, mas se mostram bem animadas e abertas a sugestões. A sessão acontece, a gente se diverte e a família fica toda orgulhosa das fotos, já sonhando em mostra-las ao bebê quando ele estiver maiorzinho.

Entretanto, há quem me procure apenas querendo riscar mais um item da lista de providências. Vamos sentar e tomar um café! Lindona, você não está sozinha. Seja qual for a sua razão de não estar no clima de sessão de fotos. Fotografia é o meu negócio e é o que paga as contas aqui em casa. Porém, não faz parte dos meus princípios convencer você que não quer ou não gosta a fazer uma sessão apenas por obrigação ou pelo medo de se arrepender depois.

Fotografia envolve investimento. Pra mim tem um valor acima do que o dinheiro pode pagar. Representa um verdadeiro tesouro. É a nossa história se mantendo viva por gerações. Mas essa é a minha visão e não é à toa que escolhi essa arte como profissão. Pode não ser a sua. Ou pelo menos pode não ser a sua nesse momento. Quem sabe depois que o bebê tiver nascido? ;-)

Então, querida, se liberte! Em vez de simplesmente procurar um fotógrafo no google e marcar sua sessão, amadureça e pondere a ideia de fazer as fotos. Analise se acha realmente importante e, caso se decida por fazer, procure aquele profissional que tem o estilo que te agrada. Pesquise! Às vezes você não se animou porque não encontrou um trabalho que se encaixe no seu estilo de vida. E se esse não for o momento, não carregue o peso do arrependimento com você!

Pensei bem e decidi fazer as fotos. Acho que vai ser uma experiência legal e importante pra mim. E agora, como convenço o meu marido / companheiro / namorado / tico-tico-no-fubá a participar da sessão? Gata, vamos tomar mais um café! Só que num próximo post… #ficavaiterpost

Pra ilustrar o artigo, em primeira mão, uma amostrinha de barrigudinhas que quiseram ser fotografadas e que ainda vão aparecer por aqui.

PS: Não sei se professores de yoga, pilates, hidroginástica e outras atividades físicas praticadas por gestantes concordam comigo, mas também acredito que antes de simplesmente se matricular na primeira academia que encontrar, apenas por obrigação porque a vizinha indicou e foi ótimo pra ela, pesquise sobre os benefícios dessas atividades para você e para o seu bebê! Também teremos post sobre isso. #ficavaiterpost

 

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