Benjoca virou o irmão grande {fotografia de nascimento}

junho 18th, 2013

12 de junho, conhecido aqui na Terra como Dia dos Namorados. Confesso que a data, de uns anos pra cá, não me trazia boas recordações, mas eu ia vivenciando a data com leveza. Mas isso foi até 2013. O meu 12 de junho começou como um dia qualquer às 5h40 da manhã, com o despertador do celular avisando que era hora de começar a labuta diária. Só que eu ainda não sabia o quão especial seria o meu dia. Optei por uma roupa confortável e por meu perfume favorito. E o meu talismã da sorte que eu só uso em dias de fotografar (mentira, não é talismã, mas é um acessório bonitinho do qual eu gosto muito). Na minha cabeça eu não ia fotografar e nem sabia o motivo de ter escolhido… Talvez lá no fundo eu soubesse.

No meio da manhã chega uma mensagem no celular. Frio na barriga! Mãos suando frio.

Voltemos umas horinhas no tempo e por outra perspectiva. Quando levantou, algumas horas antes de enviar a mensagem, ela sonhou comigo. Sonhou que eu tinha dois filhos (meninos), inclusive via as fotos dos dois, e que eu descrevia uma cólica que sentia quando amamentava um deles. No sonho ela sentia as dores de cólica enquanto eu as descrevia, como se fossem contrações. E quando ela acorda… olha a dorzinha lá, anunciando a proximidade da chegada. Aí ela vira pra ele e diz que já sabe o que vai lhe dar de presente de dia dos namorados: um bebê.

A mensagem começava com um “bom dia, linda!” e seguia dizendo que as contrações estavam contínuas. Eu nem precisava ler o resto… Como ela mesma diz, “os entendedores entenderão”. E eu entendi. Última verificada no equipamento enquanto esperava a mensagem “vem!”. E pouco depois ela veio. Nesse momento, mesmo com as borboletas no estômago, a cabeça e o coração já estavam em prece, buscando boas energias.

Claro que pra dar mais emoção, tanque na reserva. Ok. Deu pra chegar!

Quando cheguei estavam todos em ritmo de agitação, de preparação e de ansiedade. Mas aquela ansiedade que dá por algo bom que está por vir. Todos se despediam do Tov que foi ao pet shop ficar todo bonitão.

O filho único estava prestes a virar irmão grande. Eu acho que ele já tinha virado. E esse irmão grande é um encanto! Tagarela, inteligente e envolvente. A tia chegou pra dar uma força, pois o irmão, mesmo passando ao posto de grande, também requer atenção.

Compra mangueira, enche banheira, remenda banheira que está vazando, continua a encher. Entre uma tarefa e outra dá atenção ao filho e faz um carinho nela. Conversa e tenta disfarçar o nervosismo, mas quando ela saía de perto conseguíamos ouvir um “ai, tô ficando nervoso”. Ela até foi preparar uma caipirinha pra ele pra ver se ele relaxava um pouco.

As contrações iam ficando menos espaçadas. Ela respirava fundo e às vezes se agachava ou procurava uma posição que aliviasse um pouco. Entre uma contração e outra ainda tinha bastante senso de humor pra postar piadinha no facebook. Brincava com o irmão grande, folheava uma revista, recebia o chamego do marido.

Na porta, o aviso: não perturbe, estou parindo!

O irmão grande estava em seu universo paralelo. A piscina foi diversão garantida, afinal de contas não é todo dia que se tem uma piscina na varanda. E nessa piscina aconteceu o dilúvio, com direito a arca de Noé, com elefante e tudo! Mas de tempos em tempos ele voltava pro que estava acontecendo e queria ouvir o coração do bebê. Calçava luvas e estava pronto pra qualquer procedimento. Quando perguntávamos se ele achava que era menino ou menina (ninguém sabia o sexo do bebê), ele respondia que só saberia depois que nascesse.

Ela resolveu entrar na piscina também. Estavam ela, ele e o irmão grande. Esse momento era só deles e essa cena estava prestes a mudar. O irmão grande, entre uma brincadeira e outra, diz “menininha”, como se fosse um chamado.

Enquanto isso, as parteiras, com a serenidade da experiência, esperavam, conversavam e intervinham quando era necessário.

Da piscina pro banquinho. Do banquinho pro quarto, à procura da melhor posição. Nesse momento a concentração já era diferente. Sabíamos que estava bem pertinho do nascimento. Eu estava segurando a onda da emoção até ouvir uma musiquinha… Musiquinha entoada por vozinha de criança. O irmão grande mais uma vez chamava o bebê. Consegui gravar e foi mais ou menos assim:

… que o Senhor te abençoe e guarde a tua vida

resplandeça o seu rosto sobre ti

que o Senhor te abençoe, sobre ti levante o rosto

misericórdia tenha e te dê a paz…

Até que depois de um urro de ursa pudemos ver o bebê e ouvir seu barulhinho. Não era choro. Era um barulhinho bonitinho de bebê. Nesse momento a emoção tomou nossos corações. Ele não acreditava que seu bebê já estava ali, pertinho dela, sentindo o cheiro de mãe. O irmão grande olhava fascinado. A tia, em lágrimas, com seu olhar transmitia todo seu amor e cumplicidade e agradecia pela confiança de poder estar ali.

“Amor, você foi incrível!”, ele disse. E foi mesmo! Como ela foi corajosa!!! E ficaram ali curtindo aquele momento, talvez ainda sem conseguir acreditar ou assimilar tudo o que aconteceu. Depois de um tempinho ela contestou o que alguns já sabiam… menina! Uma vozinha perguntou: “É menina? Então ela tem uma vagina? Deixa eu ver a vagina dela?”. Explosão de risos!

Foi assim que a bebê ainda sem nome nasceu. Em casa, na cama onde foi concebida, cercada de amor e respeito por todos os lados.

Ops… não os apresentei! O nome dela é Luíza, o dele é Hilan e o irmão grande é o Benjamin, também conhecido como Benjoca. Eles formam uma família linda e bem humorada e alimentam o blog Potencial Gestante.

Detalhe… os pais da Luíza e do Hilan não sabiam da opção deles pelo parto domiciliar. Depois que a bebê nasceu, Luíza ligou pra sua mãe e pediu pra ela dar um pulinho em sua casa pois tinha um presente pra ela.

O post ficou enorme, mas não tinha como eu resumir mais essa história. Sorry!

Luíza e Hilan, não tenho palavras pra agradecer pela confiança que depositaram em mim pra registrar o nascimento da bebê! Fiquei muito feliz por poder estar com vocês nesse dia. E Luíza, sua mensagem após ver as fotos me encheu de lágrimas. Isso não se faz! hahahaha

Paloma e Iara, vocês são maravilhosas no que fazem! Tranquilas, amorosas e profissionais. Adorei conhecê-las. Espero encontrá-las em outros nascimentos por aí.

Tia Lalá, como foi gostoso, né? Não vou me esquecer de todo o seu carinho e apoio. Energia boa e muito bem vinda quando um bebê está a caminho. E tenho certeza de que esse dia entrará pra sua listinha de dias especiais da vida, assim como entrou pra minha.

Benjoca, o que falar pra você, irmão grande? Sou sua fã! Te adoro, mocinho! E sim, você pode vir na minha casa qualquer dia desses. ;-)

Ah… e não deixem de ver o relato da Luíza no Potencial Gestante!

A fulô do sertão esperando por seu Romeu {ensaio de gestante}

maio 4th, 2013

O sertão está em mim. Faz parte de minhas origens. É castigado pela seca que tanto judia as plantações, pessoas e animais. Mas também é repleto de belezas que me encantam e inspiram.

Pois bem! No meio do sertão baiano, entre umbuzeiros e plantações de palma, encontrei uma fulô. Fulô bela. Radiante. Esperando por seu Romeu. Difícil ver tanta doçura, meiguice e paciência numa pessoa só! Sem falar em sua lindeza…

E sua sessão foi leve, colorida, com luz dourada e gostinho doce e travoso de umbu maduro.

Agradecimentos especiais a Ângela e Eliza que tanto me ajudaram a arrumar cenário e figurino. Até carro de boi as bichinhas carregaram. Judiação! Vocês também são lindas, meninas! Amo vocês!!! <3

E foi em casa, cheio de amor {fotografia de nascimento}

abril 18th, 2013

Era uma manhã de sábado e eu estava de saída pra pegar o metrô pra fotografar um evento de gestantes em um parque da cidade quando meu telefone tocou. Era a doula dizendo que a Laiany estava em trabalho de parto. Ela disse que talvez ainda fosse demorar um pouco pro bebê nascer e que me manteria informada. Ainda deu tempo de voltar em casa e pegar outra lente que eu sabia que seria necessária e a mais adequada para a ocasião.

Por volta da hora do almoço, depois de fotografar a caminhada das gestantes, caminhar um bocado, pegar metrô, táxi, cheguei à casa da Laiany e do Wilson. O Claudinho ainda não havia nascido. Lá estavam a doula, as parteiras, a mãe da Laiany e sua caçula… todos na expectativa pela chegada do Claudinho.

As contrações da Laiany eram muito fortes, mas tão fortes quanto suas contrações eram as mãos e os braços do Wilson e da doula, Taíza. Braços e mãos fortes o suficiente para segurar a Laiany nas horas em que a dor vinha, mas também extremamente carinhosos para acariciar o rosto, os cabelos dela e mostrar a ela que eles estavam ali a seu lado.

A mãe de Laiany a abraçava de longe. Ela fazia o almoço. Entre uma mexida e outra na panela, também mostrava a seu genro que estava ali os apoiando. Dava pra ver em seus olhos a preocupação de mãe e o carinho pela filha. Mas também dava pra perceber seu sorriso quando falávamos que o Claudinho estava pertinho de chegar e que logo ela estaria com seu netinho nos braços.

Poucas horas depois, Claudinho nasceu. Nasceu em sua casa, como seus pais quiseram. Nasceu rodeado por pessoas que já o amavam mesmo antes de ver seu rostinho. Nasceu aparado pelas mãos do pai e foi logo pro aconchego do colo de sua mãe. Nasceu!

Nessas horas em que estive lá vivi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Já presenciei alguns nascimentos, seja por via cirúrgica ou por via natural. Sempre me emociono. Como ver o milagre do nascimento sem se emocionar? Mas a sensação que tive nesse dia foi muito diferente e inesquecível. Apenas pelo fato de ter sido o primeiro parto domiciliar? Acredito que não foi só isso… Acho que vai muito além. A experiência de ver uma mulher guerreira, totalmente ativa em seu parto, uma família amorosa e presente em todos os momentos, a natureza mostrando sua perfeição, um bebê que nasceu tranquilo, em seu tempo, sem chorar… talvez tudo isso tenha influenciado. Só sei que o nascimento do Claudinho entrou também pra minha história.

EDITADO: Fui procurada pela galera massa do Atelliê Fotografia e eles me pediram pra publicar algo sobre partos. Então, publiquei lá o texto que eu tinha guardado só pra mim, contando essa experiência de outra forma. Passa lá!  http://atelliefotografia.mtv.uol.com.br/grandes-nomes/o-claudinho-nasceu-em-casa-por-ana-paula-batista/

Um dia com a família da Helena e do Samuel

abril 14th, 2013

A Cris entrou em contato comigo querendo um ensaio de família que retratasse bem a fase de seus filhos, assim como o cantinho deles, e os momentos gostosos que estavam vivendo. Ela é um doce e junto de seu marido, Tulio, constituiu essa família adorável.

A pequena Helena é uma espoletinha. Bem humorada e encantada por seu irmão Samuel. Essa fofura nos guardou um presente… Deixou pra engatinhar pela primeira vez no dia da sessão. Agora está guardado pra sempre!!! ;-)

O Samuel no início estava bem sério e arredio. Quando ele apareceu, eu estava fotografando a Helena e comecei a conversar com ele, perguntar sobre suas brincadeiras preferidas e foi só uma questão de tempo (bem pouco mesmo) ele já estava me chamando pra todo canto, inclusive pra assistir seu filme preferido com ele. Fiquei apaixonada por esse mocinho inteligente e dos cílios perfeitos.

Alguns dias após a sessão, na troca de e-mails costumeira para envio das fotos, a Cris me disse que de vez em quando o Samuel dizia “mãe, vamos chamar a tia Ana pra tirar fotos da gente”. Não é pra morrer de amores?

Cris e Tulio, muito obrigada pela paciência, pelo carinho e pela confiança. Parabéns pelos filhos lindos, espertos e educados. Gostei muito de conhecê-los e foi um prazer fotografá-los!

Quando a paixão não basta

março 13th, 2013

Muitas vezes sou abordada por pessoas, assim como eu, apaixonadas por fotografia. Quando nas conversas surge um “sou apaixonado por fotografia e faço fotos bacanas… já posso ser profissional?” eu chamo pra tomar um café (por isso que essa coluna se chama Café e Bate Papo ;-) ), se possível, e trocar umas ideias.

É comum, ao adquirir a primeira câmera robusta que troque lentes, vir aquela empolgação e a gente já querer ter a fotografia como profissão (porque fotografia é apaixonante mesmo!), fazer um monte de cartões de visita e montar um site. Sei como é… Isso aconteceu comigo! Mas resolvi deixar essa onda da empolgação inicial passar e seguir com calma, pois não é tão simples assim. E hoje olho pra trás e acho que foi a melhor coisa que fiz. Ir com calma!

Existe uma distância a percorrer quando se pretende ser fotógrafo profissional. Ter a fotografia como profissão significa, além de ter um trabalho sólido e de bom gosto, ter que gerenciar um negócio como outro qualquer e isso envolve lidar com clientes e fornecedores, prazos a cumprir, planejamento financeiro, definição de valores (ponto delicado que podemos abordar em outro momento se for do interesse de vocês)… e assim vai.

Quando prestamos um serviço, devemos fazê-lo com a responsabilidade que a ocasião requer. E não se enganem… trabalhamos muito! No caso da fotografia, passamos muitas horas antes pesquisando referências, criando, planejando a sessão de fotos e muitas horas depois editando as imagens, diagramando álbuns, enviando provas para os clientes, layouts para gráficas e encadernadoras, atualizando sites e blogs.  Quando não fazemos isso e optamos por terceirizar, temos que supervisionar cada etapa para garantir um bom resultado. Não é só diversão.

Além de responsabilidade, devemos ter ética! Postura ética perante clientes e perante colegas de trabalho é o mínimo que devemos esperar de qualquer profissional. Precisa praticar? Quer saber se gosta de uma determinada área ou se “dá conta” de fazer determinado serviço? Perfeito! Procure uma maneira de praticar sem fazer clientes de cobaia.

Temos também que estar sempre conectados com o mundo, antenados com o que há de novidade, ligados nas redes sociais. E isso exige disciplina. Muita disciplina! Ainda temos que estar sempre em crescimento, melhorando nosso trabalho, nos capacitando, fazendo cursos, oficinas, workshops e lendo muito. Investimento.

Esses são apenas alguns dos aspectos a se considerar quando resolvemos fazer da nossa paixão a nossa profissão. E, pra mim, um dos desafios é conciliar tudo isso sem deixar a paixão acabar. Amar o que faz! É possível fotografar com amor e profissionalismo sim.

Essas palavras não são para desanimar quem está começando… Muito pelo contrário! Apenas levanto alguns pontos para reflexão para que vocês que pretendem se profissionalizar comecem suas carreiras com mais consistência. Isso é bom para o profissional e para seus clientes, que construirão uma relação baseada não somente em talento ou mera prestação de serviço, mas também em ética e respeito.

E pro post não ficar só com palavras, resolvi trazer umas fotinhas do meu Instagram, que representam alguns dos meus amores.

Qualquer dia desses, se vocês tiverem interesse (pra isso basta me dizer por comentário ou mandar uma mensagem por email ou facebook), posso contar um pouco mais sobre como foi minha jornada até me ver como fotógrafa e assinar o primeiro trabalho como tal.

PS: Essa semana saiu uma matéria numa revista (daquelas de sinopse de novela) dizendo que é possível virar fotógrafa em um dia e ganhar 4 mil reais por mês logo de cara. Depois dessa resenha toda, o que vocês acham que eu penso a respeito disso?

 

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