2018, o ano do “pause” e outras coisitas mais…

Às vezes penso que 2018 foi uma espécie de “pause” em vários aspectos da minha vida. Só o tempo que não para e, quando vi, tinha feito 40.

É engraçado quando me lembro de como estava no fim do ano passado. Especialmente depois de um workshop de planejamento com a Fernanda de Azevedo da Faz Sucesso, fiquei MUITO animada com o ano que estava chegando, 2018 no caso. Talvez você não saiba, mas há alguns anos venho praticando malabarismo com a fotografia e outro trabalho, que alguns chamam de “oficial”. E há alguns anos que me sinto cansada e incomodada com a situação, presa a crenças limitantes que me seguravam nessa obrigação de conciliar as coisas. Depois desse workshop da Fê, pela primeira vez, senti que realizar meu sonho de viver daquilo que amo pode ser perfeitamente possível.

Então, comecei 2018 com a corda toda, cheia de planos, expectativas de que seria um ano maravilhoso. Pra reforçar essa minha vibe, no início de janeiro aconteceram as festas de casamento do meu irmão. Pois é… foram duas. O ano estava começando muito bem! Eu sentia isso. Tinha conseguido desengavetar alguns projetos nos meses anteriores e agora seria a hora de impulsioná-los.

Mas aí o universo me mostra que não há planejamento no mundo que seja capaz de prever certas coisas que acontecem, nos atropelam e nos tiram do prumo. Em decorrência de muita coisa acumulada, saí de um consultório médico com um diagnóstico de estresse, depressão, um atestado e uma receita. Terapia, afastamento, medicação. Vieram muitos medos, dias de sombra, não me sentia em minha capacidade produtiva e ainda me culpava por isso. Foi um momento difícil, mas que depois que passou percebi como um mergulho necessário em mim mesma. Pra gente enxergar certas coisas, precisamos realmente dar o “pause”.

Foi também momento em que decidi me abrir novamente para um novo amor felino e adotei a Frida. Eu tinha muito medo de procurar a Ivete em outra gata, tinha medo de sofrer novamente, mas percebi que um amor não anula o outro e que o tempo que passamos na companhia desses bichinhos é muito mais grandioso do que qualquer outra experiência. Ela era tudo o que eu precisava… e tem sido melhor do que qualquer remédio. Danada e afrontosa, me trouxe alegria, carinho e companhia.

Say Hi to Frida!

Depois de dois meses afastada, o retorno ao trabalho “oficial” foi muito doloroso. Tudo o que aconteceu só fez crescer a vontade de seguir os meus planos. E lá veio uma força, sabe Deus de onde, cheia de desejo de mudança. Mudei muitas coisas na minha rotina, incluindo meu horário de trabalho. Percebi as crenças sem fundamento que me mantinham numa prisão disfuncional que só me causava sofrimento. Comecei a encarar certas situações como transitórias e tudo ficou um pouco mais leve.

Estava cada vez mais determinada a me capacitar, especialmente em negócios, comunicação e marketing. Decidi que seria o ano que eu tiraria para me preparar, fazer cursos, estudar e, assim, fortalecer meu negócio, alimentar meus sonhos. Caiu no meu colo uma oportunidade de fazer o Decola! Lab, um programa de desenvolvimento para empreendedores criativos, e foi uma experiência realmente transformadora. Me fez conhecer melhor minhas habilidades e quebrar muitos mitos relacionados a empreendedorismo, criatividade, economia criativa, marketing, entre outros assuntos, que me amarravam ao medo de voar. Além disso, me trouxe uma amizade com uma menina que é iluminada e pura inspiração, a Franciele Correa. A gente já se conhecia, mas por sermos colegas de Decola, nos aproximamos mais e hoje trago essa mocinha no coração.

Nesse meio tempo, fotografei famílias, crianças, grávidas, bebês nascendo, mulheres incríveis, festas de aniversário. Fotografar me ilumina, me faz vibrar, transbordar. Me cura. Comecei a meditar, hábito também transformador, que venho cultivando desde o início do Decola e que tem me ajudado muito a buscar meu equilíbrio, aumentar a concentração e viver mais no presente.

Hoje, vendo assim do alto, na posição de narradora observadora, parece que essa calmaria toda só estava me preparando para a tempestade que estava por vir. Quando estava me reerguendo, tomando fôlego, veio um baque. Baque daqueles que quase derruba o barco e que me afetou de uma forma que nem sei descrever. Foi uma pancada forte, dessas que a gente se questiona se um dia a dor vai passar.

Senti muito. Um turbilhão de sentimentos. Foi muita dor, tristeza, culpa, impotência, raiva, compaixão, amor, solidão, empatia, fé. Mais uma vez me senti improdutiva. Mais uma vez tive que me afastar de algumas de minhas atividades. Mais uma vez veio esse desejo desesperador por mudança. Mais uma vez a fotografia estava ali para me dizer o que vim fazer nesse mundo. Mais uma vez tive que mergulhar em mim mesma, buscando mais perguntas do que respostas.

Escrevi uma carta para a Ana que tirou essa foto horas antes de seu mundo virar de cabeça pra baixo

Aprendi que não devo dizer que 2018 foi um ano difícil, apesar de ter sido difícil pra cacete. Devo dizer que foi um ano desafiador. E mesmo com todas as pancadas, muita coisa boa aconteceu. Fiz trabalhos incríveis, conheci pessoas novas, me desafiei, retomei amizades, estudei bastante, tomei café com amigos, li muito, amei, recebi muito carinho dos meus clientes, da minha filha, dos meus familiares, do companheiro maravilhoso que tenho ao meu lado. Chorei. Chorei muito. Mas também sorri. Gargalhei com filmes bobos, ri de mim mesma, me permiti brincar com minha gata em momentos só nossos, me permiti momentos de ócio, ganhei flores da minha filha.

Quando olho para trás, que não é tão atrás assim, percebo que essas situações surgem para nos tirar mesmo do eixo, para nos movimentar. Às vezes essas sacudidas do universo são aquilo que precisamos para realizarmos as mudanças que queremos em nossas vidas e muitas vezes não conseguimos perceber, e muito menos agir. Como diz uma de minhas ídolas, Paola Carosella, as únicas certezas que a gente aprende na vida, aprende no inferno e nunca no paraíso.

Então 2018, não vou te praguejar, apesar de ter sido um dos anos mais pesados da minha vida, até onde me lembro. Te acolho, te aceito com muita gratidão e estou aqui tentando te ressignificar e absorver todos os ensinamentos que você me proporcionou para que eu seja uma pessoa melhor e que possa fazer da minha vida melhor também. Para a borboleta sair do casulo e voar com suas lindas e coloridas asas, ela passa por muita dor e esforço. E é assim que me sinto.

Muito obrigada a todas as pessoas que cruzaram meu caminho de alguma forma. Aos clientes que confiaram em meu trabalho, aos que foram super compreensivos mesmo com prazos estourados, aos amigos e familiares que estiveram ao meu lado, aos colegas do trabalho “oficial”, aos meus fornecedores, aos profissionais que me deram suporte. Muito obrigada, 2018. Não sei se sentirei saudades, mas com certeza você foi transformador.

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