A fotografia que está dentro de nós… e baguncinha com a Dindinha!

Quando comecei a estudar fotografia e conhecer um pouco mais sobre esse universo, eu queria fotografar o tempo todo. Fotografar tudo. Fotografar todas as pessoas. Era como se o mundo estivesse sempre enquadrado, nos meus olhos ou no meu visor. Por onde eu andava, estava sempre em busca de uma boa fotografia, e carregava a câmera pra todo lugar.

Com o tempo resolvi fazer da paixão uma profissão. (Fiquei devendo post sobre minha trajetória, né? Ele vai chegar!) Quando a paixão vira uma profissão, muitas coisas mudam. Não digo que pra melhor ou pior… simplesmente mudam.

A paixão pela fotografia continua. Talvez fique até mais madura e sólida, assim como um namoro que sai daquele fogo inicial e vai se consolidando com base em admiração, intimidade e respeito. Entretanto, o tempo pra fotografar o mundo inteiro fica mais escasso. O corpo fica mais cansado, após horas e horas estudando, atendendo cliente, fotografando, editando, respondendo e-mail, alimentando blog, escrevendo artigo, encontrando parceiros, administrando facebook, estudando mais etc. A câmera já não anda mais comigo como se fosse extensão do meu corpo. Equipamento é pesado, é caro, exige atenção o tempo todo… Normalmente vem comigo só quando é para trabalhar.

O que se prejudica com isso? As minhas lembranças. As lembranças da minha vida pessoal que vai sendo menos fotografada, ou ao menos não tão fotografada como eu gostaria. Às vezes até fotografo um pouquinho do meu cotidiano, eventos de família, viagens (essas eu fotografo bastante!), mas as fotos entram na fila de edição e vão sempre sendo deixadas pra depois, pois o trabalho não para (o que é ótimo!). Como resultado, aquele velho ditado… o que os olhos não veem, o coração não sente.

Diante desse incômodo, me propus a estar mais atenta à fotografia da minha vida. Afinal de contas, não sou fotógrafa apenas quando estou trabalhando para clientes… Antes dos clientes, ela já estava dentro de mim, vivendo alegremente. Tenho procurado ter tardes livres para sair com minhas chatinhas (é assim que carinhosamente chamo minhas companheirinhas Lu e Gabi) ou com amigos pra passear pela cidade. Parar pra ver um por-do-sol. Comer bolo de cenoura sem importar com a quantidade de açúcar que aquele pedaço de mau caminho traz consigo. E fotografar. Com celular, câmera profissional, câmera analógica, instax… Não importa. O que importa é ter dias gostosos e carregar lembranças deles.

Da mesma forma, me propus a editar com mais frequência fotos pessoais que estão na fila fazendo aniversário. E toda vez que faço isso é tão bom! Encontro verdadeiras preciosidades que me arrancam sorrisos e trazem boas memórias. E a cada vez que finalizo a edição de fotos pessoais, fica ainda mais forte um pensamento que tenho… Quem fotografa com o coração e faz disso uma arte, traz a fotografia consigo e coloca a sua essência em suas fotografias. Seu olhar está presente não só nos trabalhos, mas nas fotos do seu dia-a-dia, independentemente da ferramenta.

E eis que encontro as fotos de um dia em que recebemos uma visita muito especial. Nossa priminha Sophia foi passar um fim de semana conosco, ou melhor, com sua Dindinha Lu. Ela é o chamego da Lu desde que nasceu. A casa estava uma zona! Aquela zona de domingo que amanhece preguiçoso e só quer saber de sofá e filme. Que pode deixar pra arrumar as coisas mais tarde, quiçá na segunda. Que prefere pegar a câmera e fotografar a baguncinha dos amores.

Eu não apareço nas fotos. Mas estou ali. Vejo um pedacinho de mim em cada uma delas. E me delicio com a fotografia que é autêntica e está dentro de mim.



Uma resposta para “A fotografia que está dentro de nós… e baguncinha com a Dindinha!”

  1. Gil Ramos disse:

    Pois é… Sinto o mesmo que você… Carregar a fotografia no coração e deixar a fotografia permear nossa vida, simples, constante, presente. Parabéns! Lindas imagens e linda Sophia. Desejo-lhe saúde, a você, sua filha Lu (a Dindinha) e sua família, o mais você já tem : )

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