Alice {parto domiciliar}

Quinze anos separavam os dois partos. Se de um lado havia a segurança de quem já tinha passado pela experiência e, portanto, daria conta, por outro lado a constatação de que cada parto é único se fazia presente. Priscilla pariu a primeira filha de cócoras na maca do hospital, a contragosto das enfermeiras e com o aval do médico plantonista, pois seu obstetra tinha viajado. O parto da segunda filha ela queria que fosse um pouquinho diferente. Em casa. Com a presença do seu marido, de seus pais e da sua filha mais velha. Para que isso fosse possível, contratou uma equipe humanizada que respeitasse suas decisões e a respeitasse como protagonista do próprio parto.

Amanda, a filha mais velha, estava com viagem marcada para o dia seguinte. A pequena Alice, querendo que sua irmã presenciasse seu nascimento, resolveu chegar numa tarde de quarta-feira, véspera da viagem de Amanda.

Eu estava no meio de uma aula do curso de edição de vídeo que estava fazendo na época quando percebi que tinha chegado uma mensagem no celular. Mensagem da doula avisando que a Pri estava em trabalho de parto. Acho que nunca vou parar de sentir frio na barriga nessa hora. Dessa vez não foi diferente. Erica disse que o trabalho de parto estava progredindo bem e que achava que não demoraria de nascer.

Quando cheguei na casa da Pri, a encontrei na banheira, onde ela ficou boa parte do tempo, na tentativa de aliviar um pouco as dores. Seu marido e a filha estavam sempre por perto. Fazendo um carinho, jogando água em suas costas ou simplesmente a observando com amor e admiração por sua força. A dor era intensa. As contrações bem efetivas. A enfermeira dizia pra ela ouvir seu corpo e fazer o que o corpo estava pedindo. Sem pestanejar a resposta foi “Analgesia! Analgesia!”.  Hoje morremos de rir com essa história!

A equipe muito atenciosa e respeitando os momentos em que Priscilla queria ficar sozinha com o marido ou com a filha, ficava por perto e de tempos em tempos ia ver como as coisas estavam evoluindo. É interessante como o padrão de comportamento da mulher vai mudando com o desenrolar do trabalho de parto. Agonia, necessidade de mudar de lugar e posição, relato de vontade de desistir… Estava muito perto! Pri resolveu ir para debaixo do chuveiro e foi lá que a pequena Alice foi recebida. Banhada pelas águas que trouxeram alívio e cercada de olhares amorosos e votos de boas vindas. Bela forma de vir ao mundo!

No banheiro, um adesivo trazia palavras de Michel Odent: Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer. E Priscilla fez sua parte! Não só em optar por um parto respeitoso para a Alice, mas também por mostrar à sua filha mais velha a forma natural de se nascer. Forma como suas duas filhas nasceram.

O Vídeo

Aqui está essa história contada em vídeo, com direito a músicas que embalaram o nascimento da Alice!

Alice {parto domiciliar} from Ana Paula Batista on Vimeo.

A Equipe

Obstetra: Rachel Reis

Enfermeira obstétrica: Melissa Martinelli

Doula: Erica de Paula



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