Amor que não se mede {ensaio de família}

Não sei bem dizer onde nasceu o amor. Ou melhor, onde nasce cada amor. Se nasce no primeiro cruzar de olhos ou bem antes disso. Ou se nasce bem depois, com o cuidado de cada dia. Acho que cada amor nasce de um jeito. Mas o que sei é que amor foi feito para se sentir. Amor não se mede. Não consigo imaginar uma fita métrica que seja capaz de tal proeza. Existe alguma que seja grande assim, do tamanho do universo? Amor também não se compara. E, pensando bem, nem se explica.

Somos cercados de vários amores. Amores que damos e amores que recebemos. Cada um é único, tem seu jeitinho próprio. Entre esses amores, existe o de tia. Quem também tem um desse? Tia que cuida, que educa, que mima, que brinca, leva pra passear, dá sorvete e brigadeiro. Tia que liga, que se preocupa, que pergunta como está indo na escola. Como não tenho uma fita métrica para o amor, não tenho como dizer o tamanho. Mas sei que é grande. Gigante. Imenso. Dá pra sentir só de olhar.

Há muito tempo essa tia babona, apaixonada por seus sobrinhos, queria fazer um ensaio com eles, retratando momentos gostosos que passam juntos. Aquelas brincadeiras e pirraças que são só deles e que darão saudade no futuro. Cauã e Sophia são primos, só que ele mora em Brasília e ela em Brumado, interior da Bahia. É comum passarem meses sem se encontrar. Tati, também conhecida como tia Cássia, Madi, Tati porcaria, tinha planejado ir para Brumado no Carnaval e levar Cauã. Estariam os três juntos e seria uma ocasião perfeita para o ensaio. Quando ela me perguntou se eu iria, arrumei minha mala.

Para retratar os vários momentos juntos, fizemos duas sessões. A primeira, um passeio à fazenda Vaccaro, na cidade de Rio de Contas, comecinho da Chapada Diamantina. Não faltou sol de rachar a cuca, parte mais desafiadora para a fotógrafa que vos escreve. Piscinas naturais, água gelada e um visual incrível. Cenário perfeito para dar aquela renovada na energia.

Cauã mais medroso, Sophia mais destemida. Brincaram, subiram as pedras, pediram para tirar foto bem do alto. No fim das contas, quem começou medroso já estava se intitulando o “rei da trilha”. Foi muito gratificante presenciar suas descobertas, seus desafios que ele mesmo ia se impondo e vencendo.

Para a segunda sessão, eles planejaram fazer um bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro. Pra falar a verdade, acho que o bolo foi só desculpa para o brigadeiro. O rei da trilha, em um passe de mágica, virou chef. Chef que nunca tinha quebrado um ovo. Mais um aprendizado! Sophia, que não fica pra trás, também queria ser chef. Ok… podemos ter dois chefs, sem problemas! A tia juntava um ingrediente, ensinava, dava oportunidade para eles tentarem. O bolo feito a seis mãos murchou, mas mesmo assim foi motivo de orgulho para os pequenos chefs. Não podia faltar brigadeiro para cobrir o bolo. “Tia, faz mais pra gente comer também de colher!”. Lorenzo e Manuela, participações especiais, quando ouviram falar em brigadeiro se aproximaram. Um dedinho perdido daqui, uma lambidinha dali. Só sei que com um prato de brigadeiro quente nas mãos dessa molecada, o pobre do bolo ficou abandonado. Bom para os adultos da casa, pois do brigadeiro de colher não sobrou nem o cheiro.

Participação especial de Manuela, que queria brincar como os grandes.