Bernardo fez um ano! {piquenique com os amigos}

Tenho lembranças muito especiais da minha infância. As noites de Natal, as viagens para estar perto da família, a árvore em que eu e minhas amigas subíamos e passávamos a tarde em reunião do nosso “Clubinho”, o dia em que meu irmão nasceu, as nossas festas de aniversário… Essas merecem um capítulo só pra elas!

Nossas festas de aniversário eram em casa mesmo, com a família e aqueles amigos mais próximos. Apartamento não muito grande, com menino correndo de um lado pro outro. As crianças se embolavam no quarto pra brincar com os presentes. Tinha bolo de verdade, brigadeiro, salgadinho e cachorro-quente. E era muito divertido! Tudo muito simples e com muito carinho. Minha mãe cozinha muito bem, mas nunca teve intimidade com os bolos. Mesmo assim, se arriscava e fazia do jeito dela. Ficava tão bom! Me lembro como se fosse hoje de uma festa com convidado chegando e bolo ainda no forno. Acho que a primeira tentativa não tinha dado certo e ela teve que fazer outro. Se a comemoração não era em casa, era um piquenique no parque, churrasco no clube com bolo e parabéns de sobremesa. Essas são as minhas referências de festa de aniversário e que me trazem doces lembranças com gosto de infância.

Não sei o que tem acontecido com as festas infantis dos tempos atuais. Conheço famílias que gastaram dezenas de milhares de reais em uma festa. Tudo bem. Cada um sabe de suas prioridades. Vejo espaços luxuosos, decorações cinematográficas, brinquedos eletrônicos, crianças nos colos das babás uniformizadas, festas regadas a champagne e comida chique, doces que temos até pena de comer de tão sofisticados. Será que tem sentimento? Cadê as crianças sendo crianças, com pés descalços e bocas lambuzadas dos brigadeiros que roubaram da mesa sem ninguém ver?

Não quero fazer julgamentos e respeito quem faz esse tipo de escolha. Meu objetivo com esse post é mostrar a minha escolha, o que me inspira e faz meu coração bater mais feliz.

Já fotografei muitas festas e eventos infantis. Por conta dos partos, minha agenda de festas e eventos foi ficando naturalmente mais restrita. Juntamente com essa restrição de agenda, fui direcionando meu trabalho pra um outro rumo, que fizesse mais sentido pra mim. Se era pra eu estar longe da minha família naquele momento, normalmente num fim de semana, que fosse pra fotografar algo que tocasse meu coração e fosse especial. Com a maturidade na carreira, a gente também vai aprendendo e se posicionando no mercado, na vida. Eu não queria ser apenas mais uma “moça da foto” da festa chique. Eu queria ser a pessoa que se sente como membro da família e que iria colocar todo o meu carinho pra fazer um trabalho documental de forma artística, olhando de dentro, com o objetivo de contar uma história, de levar para essas crianças as lembranças gostosas de infância, assim como as que guardo comigo até hoje.

Há quem ache que se trata de uma postura egoísta ou egocêntrica de só fazer o que queremos ou aquilo que gostamos. Pra mim é uma questão de respeito a nossos valores e princípios. Não tem problema nenhum um profissional prestar um serviço apenas para receber o dinheiro, de forma totalmente comercial, sem se importar com questões filosóficas, sociais ou mesmo internas. Não quer dizer que essa pessoa não tenha suas convicções, mas sim que as separa do seu trabalho. Não vejo nada de errado nisso. Tudo depende do propósito de cada um. Pra mim, a banda toca de outra forma. A fotografia na minha vida é experiência, vivência, forma de ver o mundo e de me expressar, e não apenas um trabalho. Claro que tenho que cobrar por isso, pois sou gente e como todas as outras pessoas do planeta tenho contas a pagar. As fotos em si e o pagamento por elas fazem parte, mas não são o fim. Então, é importante que aquele trabalho converse com tudo aquilo que eu carrego aqui dentro. Essa é a MINHA forma de lidar com a fotografia, o que não quer dizer que seja a única ou a correta.

Estou falando tudo isso pra que vocês tenham ideia de como fotografar a comemoração do primeiro aniversário do Bernardo foi especial pra mim e o quanto eu guardo essa família no meu coração. Vi o Bernardo nascer, fotografei sua família uma semana após sua chegada e agora lá estava eu, no seu primeiro aniversário.

Seus pais resolveram convidar os familiares e amigos mais próximos pra um piquenique em um lugar que acham gostoso e tranquilo. Escolheram uma árvore, espalharam cangas e montaram uma cabaninha de bolinhas para as crianças. Tinha frutas, sucos naturais, cerveja para os adultos, salada de frutas, sanduichinhos e bolo de verdade. Tinha também muita amizade e carinho entre todos que estavam ali. O Bernardo não vai se lembrar do sabor da primeira colherada de cheesecake da sua vida, mas vai ter essas doces lembranças de um dia leve e gostoso, cercado de sorrisos e pessoas especiais, pra sempre. Isso me deixa completamente animada, inspirada e motivada a continuar seguindo o meu coração, respeitando a forma como vejo o mundo.

Mais uma vez, não me entendam mal. Não quero julgar quem faz festas cheias de efeitos especiais e nem dizer que todo mundo tem que fazer festa em casa e fazer todas as comidas e lembrancinhas, mesmo sem saber ou ter habilidade pra isso. A ideia não é essa. Só quero mostrar que existem formas mais simples de se comemorar e dizer pra você que valoriza a simplicidade e o sentimento de família acima de tudo que vou adorar fotografar sua festa no parque, no quintal, na sala de casa, no gramadão da quadra…



Uma resposta para “Bernardo fez um ano! {piquenique com os amigos}”

  1. Átila Lutz Ribeiro disse:

    Sinto tantos valores em cada palavra que a emoção é quase natural e sem dúvida nenhuma é algo que sou grata, pois sinto ela na mesma proporção que sinto o quão é maravilhoso fazer escolhas inspiradoras e que fazem o coração disparar de tanta felicidade. Escolhas como a fotografia, como os bolos de verdade e festas com pessoas especiais. Aliás, oh vida que implica, mas ensina! Oh pedaços de tempo que dizem baixinho: “quando tiveres experiência, seja capaz de ser experiente”! Eita, que fantástico poder ter a fantasia e a simplicidade juntas! E não só isso, mas a capacidade de promover sensações a partir de cada um desses sentimentos únicos que fazem parte de uma história que une o ontem, o hoje e certamente o amanhã. Obrigada, pelo texto de decisões, pelo olhar de carinho, pela sinceridade nostálgica e pela linguagem expressa em cada imagem que narra a subjetividade de sentidos que o tempo não tem coragem de apagar, mas unir! Bernardo ganhou uma história, despertou lembranças e libertou desejos! Que desejos? Aqueles que só a alma entende, pois há coisas na vida que nem mesmo um milhão de palavras conseguem traduzir, mas, Sentir!

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