De peito aberto {algumas palavras para 2015}

post-1

É 2015… você não foi fácil. E dizer que não foi fácil não quer dizer que foi ruim. De jeito nenhum! Muito pelo contrário. Foi desafiador e desafios normalmente trazem ótimos frutos.

Eu tinha muitos planos pra você, especialmente no que se refere à fotografia. Estava cheia de projetos que estavam no papel há algum tempo. Não sei bem pontuar o que houve, mas o ano passou como um atropelo e a maioria desses projetos continuou onde estavam… nos caderninhos de anotações ou apenas no mundo das ideias. Parte de mim se frustrou por um tempo, mas outra parte não.

Agora que você passou, olhando pra trás percebi que talvez eu não estivesse preparada para tocar tantos projetos, considerando as surpresas que você trouxe. Talvez fosse melhor dar um passinho de cada vez do que querer fazer tudo ao mesmo tempo, abraçando o mundo com as pernas. Foi um ano intenso e transformador. Aproveitei boa parte dos seus dias para dar um mergulho aqui dentro, me conhecer melhor, refletir sobre meu posicionamento com relação aos que me cercam, a meu trabalho, a meus medos e meus desejos. Cheguei a pensar em parar de fotografar como forma de trabalho, mas percebi que a vida não é feita de extremos, mas sim de conexões e conciliações e que no momento eu só precisava desacelerar um pouco para retomar meu caminho.

Acredito que nada acontece pelo acaso, assim como não é por ele que as pessoas entram em nossa vida. Algumas permanecem por mais tempo, outras estão apenas de passagem e logo vão embora, mas cada uma traz sua contribuição. Tive o privilégio de ter por perto alguém para me dar umas sacudidas e me ajudar a sair do turbilhão automático onde eu me encontrava e a me enxergar por dentro. Um mergulho de verdade. Mesmo sabendo que é um longo caminho por toda a vida, nesse processo de auto conhecimento tenho aprendido muitas coisas. Uma delas é que não temos que dar conta de tudo sozinhos. Tive que queimar a capa da Mulher Maravilha e me assustei quando percebi o quanto isso é difícil. Acredito que estamos nesse mundo para sermos melhores a cada dia, mas isso é bem diferente de sermos perfeitos em tudo, afinal de conta ninguém é perfeito. Níveis elevados de exigência e perfeccionismo causam insegurança, ansiedade e repressão daquilo que é nosso, que é autêntico. E esses podem ser nossos maiores inimigos, tanto na vida profissional como na vida pessoal.

Nesse mergulho tenho refletido muito sobre meu trabalho, sobre o que eu quero da fotografia, sobre meu posicionamento no mercado. A fotografia como arte é uma forma de manifestação da nossa subjetividade. Dessa forma, faz todo o sentido ser constantemente avaliada e repensada, pois somos seres em metamorfose ambulante. Ainda bem! Nossas prioridades na vida vão mudando e a gente vai acompanhando. Crises econômicas como a que estamos enfrentando em nosso país também são ótimas oportunidades para mudanças e crescimento. Mais pé no chão e menos romantismo podem ajudar a enxergarmos as coisas por outras perspectivas e tomarmos rumos diferentes e procurarmos soluções criativas para aquilo que nos trava ou incomoda.

Como foi difícil quebrar algumas barreiras, que provavelmente eu mesma tenha construído, e assumir que sou fotógrafa e ponto! Não fotógrafa disso ou daquilo, mas apenas fotógrafa. Sem rótulos. Pode parecer irrelevante, mas quebrar essas barreiras significou para mim me permitir mais, transitar por outros caminhos, querer experimentar, aceitar desafios, plantar novas sementes. Quem já acompanhava meu trabalho percebeu que mudei o logotipo, mudei o site (e agradeço imensamente os dois anjos que possibilitaram isso). Fotografei mulheres, fotografei casais, fotografei casamento, fotografei comida. Como bem diz Scott MacLeay no livro “Pensar, Sentir, Ver: Percepção e processo em fotografia” (ainda em estudo, mas já recomendo!), o segredo para não estagnarmos é ter o espírito aberto e contato constante com diferentes referências, mesmo que não ligadas diretamente ao nosso ramo de trabalho. O desenvolvimento de projetos paralelos, pessoais ou profissionais, podem ser extremamente inspiradores, fazendo movimentar nossa energia criativa.

Precisei, 2015, de tudo o que você me trouxe para enxergar que não tenho que ser só uma coisa na vida. Assim como posso transitar em diferentes áreas da fotografia, posso também desenvolver outras habilidades, fazer aquilo que me deixa feliz, experimentar coisas novas, independentemente se isso vai virar trabalho, se vai ter utilidade, se vai me trazer renda. Consegui tirar um projeto pessoal do papel e transformar em realidade, o que me deixou imensamente inspirada e cheia de ideias. E foi de supetão, seguindo o famoso “é melhor feito do que perfeito”. O Tem Laranja na Cozinha, projeto que cultivo com meu companheiro Pedro, começou de mansinho, somente com uma conta no Instagram, e aos poucos foi crescendo. Hoje, com meu amor aqui juntinho de mim, está virando negócio. Tenho metido as caras na fotografia de comida e nas panelas. Sou fotógrafa. Sou cozinheira. Sou mãe. Sou psicóloga não praticante. Quem sabe um dia viro cantora. Ou pintora. Ou costureira. Ou cineasta.

Além de me abrir para novos conhecimentos, tenho me esforçado também para aprender a amar de forma mais genuína, especialmente aqueles que convivem comigo. Amar e respeitar o outro em suas diferenças, pois aceitar aqueles que são iguais a nós não é tão difícil assim. Demonstrar esse amor por meio de pequenos gestos de cada dia, como a plantinha que precisa de luz e água para se manter saudável… no cuidado, no colo, na empatia e até mesmo no puxão de orelha. Para isso (parece clichê, mas é pura verdade), precisamos sobretudo nos conhecer e nos amar. Conhecer nossos limites, saber o que nos agrada e o que nos machuca. Estar atentos aos defeitos e aceitar nossas qualidades sem nos sabotar e sem permitir que outras pessoas nos sabotem.

Faço um balanço e vejo que minha família está unida, saudável e em paz. Minha filha está se tornando uma jovem linda e determinada, ainda com natureza difícil (aceitar as diferenças, né?), construindo seus próprios planos. Meu companheiro está ao meu lado e seguimos andando juntos, aprendendo um com o outro como podemos crescer, ser pessoas melhores e nos apoiando em nossos voos e em nossos tropeços, sempre buscando o equilíbrio. Tenho clientes fantásticas que me permitiram entrar em suas vidas e contar suas histórias, inclusive me desafiando a sair da zona de conforto. Então, 2015, só tenho gratidão a você!

Ao ano que se inicia só sei dizer que estou com menos projetos e mais peito aberto para receber suas surpresas. Estou entrando leve, como quem recomeça ciclos, porém com a bagagem das experiências vividas. Pronta para encarar desafios, aprender coisas novas, fotografar mulheres, casais, comida, festas, bebês, famílias, crianças, paisagens e o que mais meu coração mandar. Cozinhar, dar cursos, escrever um livro, montar minha própria horta… Quem sabe? Sem metas e nem promessas. 😉

montagem 1 montagem 2

 

“Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe e só levo a certeza de que muito pouco eu sei. Que nada sei.”

Tocando em frente, Almir Sater



Uma resposta para “De peito aberto {algumas palavras para 2015}”

  1. Josie disse:

    De todo seu coração. ❤️
    Adorei cada palavra. Feliz 2016, amiga.

Deixe uma resposta