Dica valiosa para desenvolver o seu estilo na fotografia

Outro dia, conversando com uma leitora do blog, após um comentário que ela fez sobre um ensaio de gestante, perguntei a ela o que exatamente a tinha agradado naquele ensaio. Esse retorno é muito rico para conhecermos um pouco melhor sobre como nosso trabalho afeta as outras pessoas. Temos controle (o que não quer dizer que tenhamos sempre consciência) daquilo que nos motiva, das nossas inspirações, do que queremos transmitir com nossas fotografias, mas não temos controle de como as outras pessoas irão interpretá-las. A percepção é subjetiva e depende da bagagem de vivências de cada um.

Bem… voltando à minha conversa com a Ju… ela me respondeu alguns fatores que posso colocar, para fins didáticos, na caixinha do “estilo”.  Ela mencionou cores, espontaneidade das pessoas, luz. Esses fatores isoladamente não definem um estilo, mas a Ju me disse que observa isso com regularidade em meus trabalhos. Posso dizer que ela percebeu algumas características próprias das minhas fotografias que as fazem ter a minha cara. Assim, posso dizer que ela percebeu o meu estilo.

Veja esse ensaio aqui!

Muitas vezes, seja em grupos de fotógrafos ou até mesmo por meio de mensagens, vejo fotógrafos, iniciantes ou não, dizendo que têm dificuldade de criar um estilo e perguntando como podem fazer isso. A resposta é inicialmente muito simples. Chega até a ser um clichê, mas é a mais pura verdade:

SEJA VOCÊ MESMO NA HORA DE FOTOGRAFAR.

 Oi? Só isso? Sim. Poderia terminar o texto aqui, mas não gosto de cafés assim tão rápidos. Então vamos papear mais!

Na verdade, acredito que estilo não se cria. Esse conjunto de características que se mostram presentes com regularidade no trabalho de uma pessoa vem de dentro. Vem de suas referências, que conversam com suas experiências de vida, que conversam com seu conhecimento e com tudo mais nessa interação entre o que é interno com o contexto em que cada pessoa vive.

É comum quando estamos começando a fotografar querermos “copiar” aquilo que admiramos em outros fotógrafos, seja com relação a enquadramento, tratamento, poses, luz. Acho muito válido enquanto experimentação e aprendizado, mas com o tempo temos que ir percebendo aquilo que realmente nos agrada e expressa nossas ideias. Pode parecer papo de psicóloga (olha aí esse meu lado aflorando de novo!), mas se conhecer é muito importante para fazer algo com a sua cara. Sim, autoconhecimento é a chave! Já dando spoiler de posts futuros. 😉

Considerando que é algo que brota, não temos que nos preocupar em perseguir ou criar um estilo. Muito menos ficarmos presos a um único jeito de fotografar, mesmo quando percebemos o nosso jeitinho de fazer fotos. Somos seres em desenvolvimento contínuo. Ainda bem! Estamos sempre mudando nosso jeito de ver o mundo, repensando, nos transformando com nossas vivências. Como diria o grande Raul, “prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Temos que relaxar e fotografar de acordo com o nosso momento.

Quando fotografamos pra nós mesmos, respeitando toda nossa bagagem de experiências, é possível que as pessoas reconheçam nosso trabalho por um conjunto de características presentes, como se fossem a coluna dorsal de nossas fotos. Mais uma vez repito, não são fatores isolados que definem um estilo. Tratamento de fotos, por exemplo, não define um estilo. Se fosse assim, todos que usam o mesmo preset do Lightroom teriam o mesmo estilo. E não é isso que acontece, não é?

Então, vamos combinar que daqui pra frente, quando eu disser “estilo” reconheço que há algo que pode nos diferenciar, mas que não é imutável e muito menos temos que nos prender a ele, ok?

Eu tenho um estilo? Como percebi?

Desde que aprendi a fotografar, fui experimentando coisas novas para ver o que mais me agradava. Era comum fazer fotos muito fechadas, por exemplo. Com o tempo algumas preferências e formas de fotografar mudam e outras se reafirmam. Fotografei espetáculos de dança, casamentos, esportes, animais, eventos corporativos, eventos infantis, partos, festas infantis, casais, comida, grávidas, famílias, aulas de culinária, produtos, bebês, mulheres.

Fui percebendo que alguns trabalhos me agradavam mais do que outros e o principal, a razão para essas preferências. Fui percebendo que tinha mais afinidade com fotografia documental, pois sou muito tímida e tenho dificuldade para dirigir. Percebi minha preferência por luz natural e algumas formas de me posicionar com relação a luz. Gosto mais de fotos espontâneas das pessoas do que de poses montadas. Prefiro fotos cheias de expressão do que fotos tecnicamente corretas. Gosto de tratamento com um pouquinho de grão, luz estourada, predominância de um amarelinho se o ambiente permitir. Só que isso não significa que todas as minhas fotos sigam todas essas minhas preferências.

 

Fotos que fiz em diferentes épocas e que refletem essas minhas preferências

Todas essas preferências que fui juntando no meu jeito de fotografar e tratar as fotos foram acontecendo naturalmente, pois refletem muito a minha maneira de ser. E hoje, dizem que eu tenho um estilo. “Dizem” porque percebi o meu estilo por meio do relato de clientes e outros fotógrafos. Já tinha parado de me preocupar com isso quando comecei a receber relatos bem parecidos das outras pessoas. Percebi também que esse estilo observado por minhas clientes ajuda a gerar a afinidade entre elas e o meu trabalho, fazendo nossos caminhos se cruzarem.

Atendendo clientes interessadas em fazer ensaio ou cobertura de parto, observei que a grande maioria delas relata que gosta de fotos mais espontâneas, pois não gostam de posar para fotos, entre outras semelhanças. Assim, observei que elas se identificam com algo que eu também valorizo, e que estou conseguindo de alguma forma expressar aquilo que penso, ou pelo menos pensava no momento. Metamorfose ambulante, lembra? Por isso que sempre que respondo a um pedido de orçamento, mando meu site e posts específicos da área que a pessoa deseja contratar para que ela possa conhecer melhor a mim e o meu trabalho.

Quando um cliente nos contrata sem conhecer o nosso trabalho, existe a chance de um desfecho não muito bom para ambos. Não há um jeito certo e único de fotografar. Ainda mais fotografia que é uma linguagem tão subjetiva! Se o cliente, por exemplo, gosta de fotos com flash, luz certinha, sem sombras, tratamento sem grãos etc. há uma boa chance de não gostar do resultado do meu trabalho. E isso é ruim para nós dois, pois minha meta é ter sempre clientes satisfeitos, que tenham aquilo que esperaram de mim. Se eu puder ir além das expectativas, melhor ainda!

Tratamento e estilo

Como mencionei antes, tratamento por si só não define um estilo. Se fosse assim, todo mundo que comprasse o mesmo preset do Lightroom teria o mesmo estilo. Contudo, não podemos desconsiderar a força do tratamento na finalização da foto. E se temos certas preferências, elas vão aparecer em nosso tratamento. Há quem diga que o tratamento é a assinatura do fotógrafo nas fotos. Não concordo muito com isso, pois acho que é só uma parte dessa “assinatura”, mas reconheço sua importância.

Mais uma vez, não significa que não podemos experimentar jeitos diferentes de finalizar nossas fotos. Entretanto, acho muito importante haver uma regularidade pelo menos dentro do mesmo trabalho. Por exemplo, dentro de um mesmo ensaio, as fotos em preto e branco seguirem sempre a mesma linha, seja com mais contraste ou menos, mais acinzentadas, com grão ou não. E, se esse jeito de tratar se repete, vai se configurando em algo característico da nossa fotografia. Não deve nos aprisionar, mas pode permitir uma identificação.

Para construir uma identidade no tratamento, há alguns anos contratei uma consultoria especializada, mostrando aquilo que me agradava, algumas referências e o meu jeito de fotografar. De nada adianta aplicar presets que foram criados para um jeito de fotografar em fotos que foram feitas de outra forma. Claro que às vezes experimento tratamentos diferentes, mas gosto de manter uma identidade, especialmente nas fotografias comerciais. Tanto que foi percebido pela leitora que mencionei no início desse artigo.

Para esse trabalho de consultoria em pós-produção, indico o querido Gustavo Lucena que tem um trabalho muito interessante chamado Assinatura Visual em que ele desenvolve presets específicos e exclusivos para cada fotógrafo. Além desse serviço, no site ele tem à venda uns presets muito lindos e também faz calibração de monitor. Não… não é post patrocinado. É que recomendo serviços dos quais eu gosto.

Para fechar (se achar que deve, pegue um quadradinho de chocolate para finalizar o café com chave de ouro!)

O que eu quis dizer com isso tudo? Primeiramente que acredito que não devemos perseguir ou nos desesperar para criar um estilo, pois sou defensora de que o mesmo não é criado, mas sim desenvolvido a partir de características de nossa personalidade, de nossas preferências e habilidades. Devemos deixar isso tudo brotar em cada trabalho. O estilo vai acontecer naturalmente e não devemos nos prender a ele quando começamos a perceber que existem elementos que se repetem em nosso trabalho, trazendo nossos diferenciais. Entretanto, não podemos desconsiderar o fato de que ter um estilo facilita a afinidade entre pessoas que identificam em nosso trabalho elementos que as agrada, mesmo que elas não saibam dar nome aos bois.

Por fim, convido vocês a lerem esse artigo do Caio Braga sobre ter ou não um estilo. É um artigo de ótima leitura, com ótimos exemplos, e que nos leva à reflexão.

Até o próximo café!

Facebook Comments



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *