Freio forçado – tirando as teias de aranha

Olho pra trás e vejo que o último post que fiz aqui foi no começo desse ano. Nem imaginava o que estava por vir! Reli o texto e pensei: Sabe de nada, inocente!

Da noite pro dia, tivemos que ficar em casa, usar máscaras e álcool gel. Passamos a lavar todas as compras e ter pela casa soluções com água sanitária. Vimos centenas de pessoas adoecendo e morrendo todos os dias. Tivemos que usar a tecnologia para nos comunicar, para trabalhar, para estudar. Situação de privilégio de alguns. Vimos os reveses da economia e os tropeços do governo.

Empresas quebraram, outras nasceram. Ações de solidariedade pintando daqui e dali, dando um calorzinho no coração. Criatividade e esperança nunca foram tão necessárias. Com esse freio forçado, precisamos nos voltar para nós mesmos e nos reinventar.

Diante de praticamente todos os contratos cancelados, deu desespero sim. Não vou mentir. A falta de perspectiva trouxe muito medo e ansiedade. Para ajudar a manter um pouco de equilíbrio, usei a fotografia dos meus dias. Percebi que o momento que estávamos (e ainda estamos) vivendo vai parar nos livros de história. Senti a necessidade de documentar a quarentena.

Tive momentos altos e baixos. Nos altos, aproveitei para estudar. Estudar muito. Senti que era momento para me reconectar com minha própria fotografia. Parecia que tudo o que venho buscando nos últimos anos foi se encaixando e ganhando um sentido ainda mais forte. Talvez eu precisasse da efemeridade da vida todos os dias nas notícias para unir pontas soltas. Diante da morte, as memórias ganham valor.

Mergulhei de cabeça em minha própria arte. Criei novos projetos. Testei novos produtos. Repaginei outros. Escrevi. Fotografei. Aprendi a usar ferramentas de videoconferência. Fiquei mais próxima da minha família, o que me deu o gostinho bom de trabalhar em casa. Sim, eu sei que é uma experiência desafiadora para muitos, mas senti que é meu melhor modo de trabalhar. De forma muito paradoxal, estou mal com a pandemia, mas feliz com os caminhos que estou trilhando.

Queria apenas saber como vocês estão. Dizer que estou por aqui, que estou bem. Tirar as teias de aranha desse espaço que é queridinho pra mim.

 

 

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