história de uma manhã de domingo {parto domiciliar}

O relógio marcava 6h30 quando o telefone tocou. Já era domingo, mesmo que o corpo ainda pedisse pelo sábado. Mas ao ver quem ligava, numa fração de segundos me animei e meu corpo se esqueceu do cansaço da semana anterior (que incluiu a festinha de 15 anos da minha filha na véspera e todo o seu preparo). Era número de doula. E quando doula liga, já sabe…

Em menos de meia hora eu estava pronta e a caminho. O domingo começava lindo, ensolarado, inspirador. Lá ia eu feliz e estranhamente tranquila até me lembrar que minha cliente também é fotógrafa (ela se diz amadora ainda, mas faz umas fotos muito lindas de bebês). Frio na barriga! Agora sim… parecia Ana Paula prestes a fotografar um parto.

A ansiedade ia diminuindo ao longo do caminho e os ipês que coloriam a cidade de cor-de-rosa não tinham como passar despercebidos. Era um belo dia pra se nascer!

Cheguei na casa dos pais da Flávia e o clima era de alegria e expectativa. Uns de longe, outros mais de perto, mas todos no apoio, carinho e espera pelo Lucas que já anunciava sua chegada desde a madrugada.

A Flávia estava na banheira buscando por conforto e alívio da dor. Concentrada no seu corpo, nos sinais que o Lucas mandava, no seu trabalho de parto. Entre as contrações, ela respirava. E respirava. E respirava. De vez em quando conversava com quem estivesse por perto (até ria!), tomava água, aceitava mel e frutas que sua doula amorosamente oferecia. Ela ia precisar de energia em breve.

A médica, de uma paciência sem fim, dizia que tudo aconteceria a seu tempo, que estava tudo certo e que o Lucas estava ótimo. Atenciosa, estava sempre monitorando os batimentos cardíacos do bebê.

E assim o tempo foi passando. Contração, respiração, descanso, respiração, contração… Não muito tempo pra nós expectadores, mas talvez muito tempo pra Flávia. Sei lá! O relógio pode ser uma forma objetiva de se medir o tempo, mas a percepção… ah, essa é bem subjetiva! Cada um com sua medida.

A “vontade de fazer força” era mais um sinal de que estava cada vez mais perto de conhecermos o rostinho do Lucas. E às 10h32 de uma manhã de domingo ele chegou. Chorou um pouquinho pro vovô que estava lá fora ouvir e saber que ele estava bem, mas logo parou. Pra que chorar se foi direto pro colinho de sua mãe, presenciando o amor de seus pais? Ele logo ficou calminho e olhou pra seus pais. Nessa hora eu morro de chorar! Não apenas por saber que esse momento é muito importante pra formação do vínculo entre bebê e mãe, mas também por VER esse momento mágico. Eu estou ali fotografando amor… gente, isso é lindo de presenciar!

O Lucas é um bebezão! Nasceu com 51 centímetros e 3, 780 kg. Mas tenho certeza de que é o bebezinho da mamãe!!! E será assim pra sempre, imagino.

Poucas horas após o nascimento, o churrasco já estava armado! Motivo pra comemorar aquela manhã de domingo não faltava…

Os parênteses…

Sobre o vídeo

Há muito tempo eu me interesso por vídeos. Vídeos bem feitos me encantam. De vez em quando faço algumas imagens, na expectativa de um dia aprender a editar. As primeiras cenas de parto que fiz e que foram ao ar foram as do nascimento da Constança. Entretanto, esse vídeo não foi editado e montado por mim. Em breve farei um post somente sobre vídeo… Por hora o que eu queria dizer é que no parto da Flávia eu também filmei e dessa vez editei, montei e publiquei. Esse sim foi inteiramente produzido por mim… idealizado, captada cada cena, editado, montado, e posso considerar o meu primeiro vídeo.

Se você não viu ainda, veja no link abaixo essa história de uma manhã de domingo em vídeo! Já é sucesso em Hollywood no facebook.

https://vimeo.com/74396682

Sobre a música

Desde que me entendo por gente Anunciação está na lista das minhas músicas favoritas. Me alegra, me faz sorrir, me deixa leve. Sabe aquelas músicas que você sempre pede pra pessoa que está com violão tocar? Pois é! Reserve essa informação.

Logo depois que o Lucas nasceu, a Flávia me disse que tinha ouvido uma música muito legal no rádio e que talvez fosse uma boa opção pro vídeo, pois falava algo como “tu virias numa manhã de domingo” e que ela achava que era a Ellen Oléria que cantava. Na hora me arrepiei! Como assim? Uma de minhas músicas favoritas, no vozeirão da Ellen (que é daqui de Brasília), entoando aquela história linda? Mas é claro!

Eu ainda não tinha ouvido a versão da Ellen. Quando ouvi no rádio, dirigindo num dia qualquer, me arrepiei de novo e comecei a chorar descontroladamente. Aumentei o volume e mandei ver “tu vens, tu vens… eu já escuto os teus sinais”. A louca do trânsito! Eu não estava nem aí se tinha alguém me olhando no sinal vermelho… era meu momento! Meu e do Lucas. E naquela hora, tudo o que me travava pra começar a enfrentar as dificuldades pra editar as imagens e montar o vídeo do parto foi embora. Essa seria a música! E ela foi a minha inspiração.

O relato da Flávia

A Flávia também escreveu sobre o seu parto. E quer versão melhor dessa história do que a da própria protagonista? O relato da Flávia está publicado no blog da Taiza Nóbrega, sua doula. Vale a pena ler. O texto está lindo!

Sobre a equipe

Para ter um parto respeitoso e verdadeiramente humanizado é preciso uma equipe em total sintonia com os desejos, vontades e expectativas do casal. Flávia e  Paulo tiveram uma equipe maravilhosa ao lado deles, atuando não somente na hora do parto, mas também em toda a preparação e no pós-parto. Esses anjos têm nome…

Caren Cupertino – médica obstetra

Melissa Martinelli – enfermeira obstetra

Taiza Nóbrega – doula



3 respostas para “história de uma manhã de domingo {parto domiciliar}”

  1. Mikaele disse:

    Poxa que lindo, muito emocionante. Assisti o vídeo, ficou maravilhoso. Parabéns! 🙂

  2. Tine Pfeiffer disse:

    LIndo e muiiito emocionante!!! bj gd

  3. Dulce disse:

    Parabéns Ana! Mais um lindo parto. Parabéns a todos os envolvidos. Bem-vindo bebê!

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