Joaquim e Juliana {fotografia de parto}

Essa história já tem mais de três anos e só agora surgiu a oportunidade de contá-la. Mas histórias boas são bem vindas a qualquer tempo, não é verdade?

Ela tinha duas filhas: Júlia e Joana. Engravidou novamente, mas agora de dois bebês de uma vez. Sim… gêmeos! Ela pularia de dois para quatro filhos. 🙂

A Fabi, que teve dois partos roubados como diz em seu relato, agora queria proporcionar um nascimento diferente para seus bebês Joaquim e Juliana. Mesmo após duas cesáreas, lutaria por um parto normal. E foi nesse espírito que nos conhecemos. Um parto domiciliar, como era inicialmente planejado, de gêmeos não poderia ficar sem fotografias! Ainda bem que a Fabi ama fotos, o que fez essa mulher incrível cruzar o meu caminho. Hoje posso dizer que ganhei não só uma cliente, mas uma amiga querida.

Voltando… Por ter duas cesáreas prévias, agora Fabi sabia que precisaria lutar contra um sistema e se cercar de pessoas que realmente a apoiassem em suas decisões, se quisesse realizar seu desejo do parto normal. E assim ela fez! Ela e Juan estavam seguros e decididos por planejar o parto em casa, especialmente com toda a orientação que recebiam da obstetra durante a gestação. Eu fiquei muito animada. Eufórica, na verdade. Seria a primeira vez que fotografaria o nascimento de gêmeos. Nossa torcida era para que os bebês esperassem até as 37 semanas. Eles, obedientes, esperaram. Entretanto, no finalzinho da gravidez, Juliana se mantinha atravessada, o que exigiu mudanças de planos para um parto hospitalar. Era muito provável que após o nascimento de Joaquim ela se posicionasse corretamente, mas se isso não acontecesse, Fabi tinha que estar no hospital para uma cesárea caso fosse preciso.

Normalmente nos meus contratos, entro no que chamo de “período de disponibilidade” nas 38 semanas de gestação. Para diminuir a probabilidade de eu não chegar a tempo em um parto, mudo minha rotina no que for possível e ando com equipamento para todo lado. Entretanto, no caso da Fabi, comecei a andar com minha câmera antes, pois tinha receio de que esses bebês fossem apressadinhos. Lembro de ter encontrado a Fabi em um shopping já no finalzinho da gestação. Eu tinha ido para o cinema com a Lu e até brinquei com a Fabi que, caso ela entrasse em trabalho de parto, eu já estava pronta com a câmera a postos.

Fabi ia me mantendo informada a cada novidade. Ela já estava ansiosa e, acredito que cansada, torcendo para os bebês nascerem logo. Até que os primeiros sinais vieram. O trabalho de parto começou, teve uma parada de algumas horas e, depois do rompimento da bolsa, voltou com tudo. Nesse momento que eu fui encontrá-los no hospital. As contrações eram bem fortes e não davam muita trégua. Ela se movimentava, procurando uma posição que aliviasse um pouco as dores. Agachava, ia para o chuveiro. Os bebês sempre monitorados. Estavam bem. Quando a obstetra examinou e constatou que a dilatação já tinha chegado a oito centímetros, nos deslocamos para o centro obstétrico.

Conforme o tempo e as contrações iam passando, uma após a outra, o movimento na sala de parto aumentava. Todo mundo queria ver o parto normal dos gêmeos. Deve ser raro no hospital, imagino. Até que Joaquim nasceu. Um bebezão! Só que dessa vez o parto não terminava ali… tinha outra bebê pra chegar. Alguns minutos depois, as contrações voltaram. Era Juliana avisando que estava perto. Antes atravessada, depois do nascimento do irmão, ela achou o caminho. Nasceu mais molinha, mas quando tentaram tirá-la de perto de sua mãe, a mocinha abriu o berreiro mostrando que estava bem e que podia ficar no colo mais um pouquinho.

Juliana loirinha e Joaquim moreno. Juliana, menorzinha, nasceu com 3,155 kg e Joaquim (pasmem!) com 4,155 kg. Isso mesmo, minha gente… mais de 7 quilos de bebê! Brincadeiras à parte, Fabi quebrou muitos mitos nessa noite de 18 de setembro de 2014, nadou contra a corrente e conseguiu realizar um sonho. E isso porque estava cercada por uma equipe que a apoiava e na qual podia confiar. Ela optou por parto normal para gêmeos, mesmo com duas cesáreas prévias, e mostrou que bebês grandes nascem de parto normal. Eu não disse que a história era boa?

Vejam as fotos que dizem mais do que palavras. O melhor de tudo é que aí estava só o começo… tive oportunidade de fotografar a família da Fabi outras vezes, inclusive mais um parto. Mas isso é história para outro post. 😉

 

 

Equipe:

Médica obstetra: Dra Caren Cupertino

Doula: Taíza Nóbrega (hoje ela é enfermeira obstetra)

Hospital Santa Lúcia, Brasília

PS: A Fabi tem um blog, Fabi e os Jotas, e escreve bem pra caramba. Recomendo a visita ao blog e ao Instagram dela!

 

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