Lupita, a pequena loba {parto domiciliar}

Pouco mais de duas semanas se passaram depois do dia do alarme falso. Quando nos reunimos antes do parto, Luíza dizia que o bebê nasceria em fevereiro e que tinha certeza que aquela gravidez não avançaria até março. Fevereiro foi chegando ao fim e março já dava as boas vindas. O bebezinho pregava mais uma peça… Talvez pra ensinar que cada parto é único e totalmente sem controle.

Acordei bem antes do despertador tocar, mas por incrível que pareça, sem aquele cansaço de insônia. Exatamente na mesma hora que o despertador tocou, 5h45, chegou mensagem da Luíza dizendo que estava com contrações e que o bebê chegaria naquele dia. Pedia pra eu já levar meu equipamento comigo pra onde eu fosse e disse que daria notícias da evolução do trabalho de parto. Como meu equipamento já estava arrumado e me acompanhava para qualquer lugar há duas semanas, segui minha rotina normalmente e saí pra trabalhar.

Por volta de 9h30, Luíza me mandou mensagem chamando para sua casa. As parteiras estavam a caminho. Saí correndo, pois ela mora longe e estávamos naquela expectativa de parto rápido. Incrível como ainda fico nervosa quando me chamam para parto. Aquele frio na barriga sempre me acompanha. Sempre!

No caminho fui rezando. Lembro de ouvir a voz da Adriana Calcanhoto no rádio, mas estava tão absorta em minhas preces e pensamentos que nem sei qual era a música.  Cheguei, toquei o interfone, alguém abriu o portão. Depois que vi que foi a Ju Caribé, que é fotógrafa, amiga e vizinha da Luíza e estava como minha backup nesse parto. Estacionei e quando desci do carro ouvi algo longe que parecia um grito. Seria a Luíza? Sei não… lembrei do parto silencioso da Sansa. Vai ver tem outra mulher parindo pela vizinhança… Entrei em casa e encontrei as crianças quietinhas no sofá. Perguntei se estavam sozinhos ali e Benjoca disse “Pode subir, estamos bem. Está todo mundo lá em cima”. Subi rapidamente com mochila, tripé, bolsa, que nem sei como não caí na escada. A porta do quarto estava fechada. Na hora em que coloquei minha mochila no chão pra pegar a câmera, ouvi o chorinho. Por questão de um minuto não vi o bebê nascendo. Peguei a primeira câmera que alcancei dentro da mochila, que obviamente não era a que eu queria (murphy mandou lembrança!), e entrei no quarto fotografando.

O grito que eu tinha ouvido ao estacionar era o urro que Luíza relata em seu post, que deu no momento do expulsivo.

Estavam ali na cama os três… Luíza, Hilan e o bebê, que até então eu não sabia que era uma menina. Estavam maravilhados, com aquele pequeno minion ser roxo nos braços. Depois de fazer umas fotos daquele enamoramento que tanto me encanta, abracei a Ju e agradeci por ela ter chegado a tempo de fotografar o nascimento. Eu ainda tremia inteira. Continuei ali fotografando o início daquela vida fora da barriga. Ela estava tão tranquila que nem parecia ter notado que nasceu. Não ouvi mais seu choro durante o tempo que fiquei por lá. Ela logo pegou o peito e mamou como se fosse um bebê experiente naquele ofício.

Hilan foi lá embaixo, na sala, buscar as crianças. “Adivinhem quem está lá em cima!” bastou para que Benjoca e Sansa viessem curiosos e eufóricos para conhecer o bebezinho que tinha acabado de nascer. Fotografei o primeiro encontro deles e me emociono toda vez que vejo a foto. Fico imaginando daqui a uns anos eles mostrando a foto à caçula e dizendo “Olha, Lupita, essa foi a hora em que te vimos pela primeira vez!”. Viajo imaginando essa cena. Sou dessas!

Um pouco depois do telefonema dando a notícia do nascimento, chegaram a mãe e irmã da Luíza para conhecer Guadalupe, a lobinha.

Voltei pro meu outro trabalho e no fim do dia fui pra casa envolta em um turbilhão de sentimentos. Depois de cada parto, fico pensando sobre o que tudo aquilo que foi vivenciado significava pra mim, como havia me afetado como pessoa e quais os possíveis desdobramentos para meu trabalho. A cabeça fica a mil por mais que o corpo peça descanso. Por um lado, fiquei bem chateada por não ter chegado a tempo do nascimento. Ficava me questionando se não teria como ter ido mais rápido. “E se…?” Por outro lado, meu coração estava com a sensação de tranquilidade de missão cumprida e executada com todo o amor e sensibilidade que coloco em cada trabalho. Estava muito feliz por ter dado tudo certo e estarem todos bem. Ao mesmo tempo que estava segura de que tinha feito fotografias especiais para a história daquela família, me sentia apreensiva por estar faltando um capítulo. No fim das contas, dormi com a alma leve e coração sossegado.

O carinho que eu tinha por essa família já era grande e ficou maior ainda! Meu coração que tinha um lugarzinho especial para Benjoca e Sansa, agora se expandia pra Lupita entrar. Bem vinda, lobinha!

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2 respostas para “Lupita, a pequena loba {parto domiciliar}”

  1. Helen disse:

    Lindo ensaio!
    Transborda amor!

  2. Cintia Soveral disse:

    Nossa muito lindo isso parto domiciliar S2 parabéns mamae

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