Meu marido não quer participar do ensaio de gestante… e agora?

Nesse artigo, eu falei sobre o “ter que” fazer ensaio de gestante ou não. Se você não leu ainda, espiá lá que eu espero.

Agora vou trazer outro questionamento que às vezes aparece para mim e para outros colegas. Algumas mulheres me escrevem dizendo que o marido / namorado/ companheiro/ tico-tico no fubá não quer participar do ensaio e chegam a desistir da sessão por esse motivo.

Vamos lá… Já pegou seu café?

Primeiro, quero deixar bem claro que não estou fazendo generalizações do tipo “homem não gosta de tirar foto” ou algo relacionado a gênero. Pelamor!!! São questões completamente individuais. Tem gente que não gosta de ser fotografada e ponto.

Na minha experiência, a maioria dos companheiros topa fazer as fotos e o questionamento que coloquei como tema desse artigo não acontece com tanta frequência comigo. Contudo, já ouvi essa queixa de alguns colegas e por isso achei interessante falar a respeito.

Na verdade, talvez por conta do meu estilo de fotografia, é bem comum meus clientes, tanto os homens como as mulheres, terem um discurso parecido… que são tímidos e não gostam de ser fotografados. Mas apesar de não se sentirem muito confortáveis na frente de uma câmera, me relatam que por perceberem uma naturalidade em minhas fotos, acreditam que a experiência deve ser leve.

Acontece que as pessoas, mesmo sem gostarem de ser fotografadas, normalmente vão se desinibindo no meio da sessão e ficando até o final. Algumas até me dizem depois do ensaio que foi uma experiência boa, que gostaram e que estão ansiosas para ver as fotos. Sempre me lembro de uma família muito querida que fotografei, em que o pai, ao final da sessão de família, me disse “nossa, Ana… nem doeu” e um tempinho depois já estávamos fotografando novamente. Entretanto, existem pessoas que realmente não querem participar das fotos, que não se sentem bem. E aí… o que fazer nessas situações?

Bem… sou da opinião de que ninguém deve ser forçado a fazer um ensaio fotográfico. A sessão deve ser leve, divertida. O intuito é justamente ter boas recordações daquele momento, marcar uma fase da família. Não quero de jeito nenhum que a experiência seja negativa. Isso transparece nas fotos e o resultado não fica tão satisfatório. Pelo menos, não para mim.

Quando minhas clientes apresentam essa questão, podemos, como primeira alternativa, achar um caminho do meio em que a pessoa que não gosta de fotos participe de apenas uma parte da sessão e depois fique liberada. Livre, leve e solta para fazer o que quiser. É bem comum, inclusive, em sessões de gestante dedicarmos um tempo para a família toda, com participação do companheiro, filhos, cachorro, gato, papagaio, e o restante do tempo fazermos apenas da mulher. Costumo sugerir isso mesmo quando não há resistência do companheiro ou filhos em participar da sessão, mas deixo a família muito à vontade para decidir. Boa parte dos meus ensaios acontecem dessa forma. Algumas famílias gostam da ideia, outras fazem a sessão inteira com todo mundo. O importante é o fotógrafo ter a sensibilidade de perceber quando alguém já cansou, se quer fazer uma pausa ou até mesmo encerrar sua participação.

Nessa sessão, começamos com a família toda, depois demos um descanso para o pai e o filho, pois a Gabi queria fotos dela sozinha.

Por fim, juntamos todo mundo novamente para finalizar a sessão em outro ambiente.

Em breve postarei mais fotos desse ensaio 😉

Mas mesmo assim, com essa inclusão mais flexível, pode ter quem não queira participar de jeito nenhum. E está tudo bem! De verdade. Ensaios apenas da gestante ficam lindos e trazem outro clima. Têm um quê de ensaio feminino, dá para valorizar outros aspectos da gestação, da mulher, do seu “infinito particular”. Já fiz alguns ensaios de gestantes sozinhas, que renderam fotos belíssimas.

Andressa esperando por Helena

Jeiza, no sertão baiano, esperando por Romeu

Júlia, flor do cerrado, esperando a Maria Valentina

Na minha humilde opinião, ninguém “tem que” nada. Entretanto, tem um ponto que deve ser considerado, sem querer trazer controvérsias. Devemos pensar um pouco adiante e analisar o que pesa mais… o desconforto imediato de fazer algumas fotos no ensaio ou ter aquela recordação tão valiosa pro futuro? A gente fotografa o presente, para que o passado seja lembrado no futuro. Filosófica que sou.

Eu, por exemplo, não me acho a pessoa mais fotogênica do mundo, nem sempre gosto de me ver nas fotos e sou bastante tímida. Então é bem natural que eu assuma o papel de fotógrafa nos eventos da minha família (mesmo porque é o que sou!) e fique sempre por trás da câmera. Só que tudo tem pelo menos dois lados… Ultimamente, tenho me sentido incomodada com o fato de eu não estar nas fotos dos eventos da minha família. Quase não tenho fotos com meu companheiro, com meus pais, com minha filha. Editando fotos pessoais do ano passado, percebi que não apareço no aniversário da minha madrinha, nas festas de carnaval na casa de minha avó, na comemoração do Natal, na formatura do meu companheiro, na festa junina, nos churrascos da família. Fico imaginando daqui a alguns anos alguém olhando as fotos em um álbum ou caixinha de fotos (sim, eu costumo não só imprimir minhas fotos, mas também imprimir fotos e dar de presente) e perguntando “ué… a Ana Paula não estava?”. Ou sendo mais dramática, “quem é Ana Paula?” hahahaha

Então, como mencionei no artigo que citei anteriormente, você não tem que fazer ensaio de gestante apenas para cortar um item do seu check list. Se você pensou bem e acha que é importante, que vai ser ótimo ter fotos da sua gestação, que é um momento muito especial que deve ser registrado, mas seu companheiro não topa, não desanime. Faça o ensaio sozinha! Vai ficar lindo. Vai ser especial. Você vai ter fotos lindas da barriga para mandar para a escola alguns anos depois (acredite, vai chegar esse momento para alguma homenagem de dia das mães). Garanto que você não vai se arrepender! 😉

 

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