Benjoca virou o irmão grande {fotografia de nascimento}

12 de junho, conhecido aqui na Terra como Dia dos Namorados. Confesso que a data, de uns anos pra cá, não me trazia boas recordações, mas eu ia vivenciando a data com leveza. Mas isso foi até 2013. O meu 12 de junho começou como um dia qualquer às 5h40 da manhã, com o despertador do celular avisando que era hora de começar a labuta diária. Só que eu ainda não sabia o quão especial seria o meu dia. Optei por uma roupa confortável e por meu perfume favorito. E o meu talismã da sorte que eu só uso em dias de fotografar (mentira, não é talismã, mas é um acessório bonitinho do qual eu gosto muito). Na minha cabeça eu não ia fotografar e nem sabia o motivo de ter escolhido… Talvez lá no fundo eu soubesse.

No meio da manhã chega uma mensagem no celular. Frio na barriga! Mãos suando frio.

Voltemos umas horinhas no tempo e por outra perspectiva. Quando levantou, algumas horas antes de enviar a mensagem, ela sonhou comigo. Sonhou que eu tinha dois filhos (meninos), inclusive via as fotos dos dois, e que eu descrevia uma cólica que sentia quando amamentava um deles. No sonho ela sentia as dores de cólica enquanto eu as descrevia, como se fossem contrações. E quando ela acorda… olha a dorzinha lá, anunciando a proximidade da chegada. Aí ela vira pra ele e diz que já sabe o que vai lhe dar de presente de dia dos namorados: um bebê.

A mensagem começava com um “bom dia, linda!” e seguia dizendo que as contrações estavam contínuas. Eu nem precisava ler o resto… Como ela mesma diz, “os entendedores entenderão”. E eu entendi. Última verificada no equipamento enquanto esperava a mensagem “vem!”. E pouco depois ela veio. Nesse momento, mesmo com as borboletas no estômago, a cabeça e o coração já estavam em prece, buscando boas energias.

Claro que pra dar mais emoção, tanque na reserva. Ok. Deu pra chegar!

Quando cheguei estavam todos em ritmo de agitação, de preparação e de ansiedade. Mas aquela ansiedade que dá por algo bom que está por vir. Todos se despediam do Tov que foi ao pet shop ficar todo bonitão.

O filho único estava prestes a virar irmão grande. Eu acho que ele já tinha virado. E esse irmão grande é um encanto! Tagarela, inteligente e envolvente. A tia chegou pra dar uma força, pois o irmão, mesmo passando ao posto de grande, também requer atenção.

Compra mangueira, enche banheira, remenda banheira que está vazando, continua a encher. Entre uma tarefa e outra dá atenção ao filho e faz um carinho nela. Conversa e tenta disfarçar o nervosismo, mas quando ela saía de perto conseguíamos ouvir um “ai, tô ficando nervoso”. Ela até foi preparar uma caipirinha pra ele pra ver se ele relaxava um pouco.

As contrações iam ficando menos espaçadas. Ela respirava fundo e às vezes se agachava ou procurava uma posição que aliviasse um pouco. Entre uma contração e outra ainda tinha bastante senso de humor pra postar piadinha no facebook. Brincava com o irmão grande, folheava uma revista, recebia o chamego do marido.

Na porta, o aviso: não perturbe, estou parindo!

O irmão grande estava em seu universo paralelo. A piscina foi diversão garantida, afinal de contas não é todo dia que se tem uma piscina na varanda. E nessa piscina aconteceu o dilúvio, com direito a arca de Noé, com elefante e tudo! Mas de tempos em tempos ele voltava pro que estava acontecendo e queria ouvir o coração do bebê. Calçava luvas e estava pronto pra qualquer procedimento. Quando perguntávamos se ele achava que era menino ou menina (ninguém sabia o sexo do bebê), ele respondia que só saberia depois que nascesse.

Ela resolveu entrar na piscina também. Estavam ela, ele e o irmão grande. Esse momento era só deles e essa cena estava prestes a mudar. O irmão grande, entre uma brincadeira e outra, diz “menininha”, como se fosse um chamado.

Enquanto isso, as parteiras, com a serenidade da experiência, esperavam, conversavam e intervinham quando era necessário.

Da piscina pro banquinho. Do banquinho pro quarto, à procura da melhor posição. Nesse momento a concentração já era diferente. Sabíamos que estava bem pertinho do nascimento. Eu estava segurando a onda da emoção até ouvir uma musiquinha… Musiquinha entoada por vozinha de criança. O irmão grande mais uma vez chamava o bebê. Consegui gravar e foi mais ou menos assim:

… que o Senhor te abençoe e guarde a tua vida

resplandeça o seu rosto sobre ti

que o Senhor te abençoe, sobre ti levante o rosto

misericórdia tenha e te dê a paz…

Até que depois de um urro de ursa pudemos ver o bebê e ouvir seu barulhinho. Não era choro. Era um barulhinho bonitinho de bebê. Nesse momento a emoção tomou nossos corações. Ele não acreditava que seu bebê já estava ali, pertinho dela, sentindo o cheiro de mãe. O irmão grande olhava fascinado. A tia, em lágrimas, com seu olhar transmitia todo seu amor e cumplicidade e agradecia pela confiança de poder estar ali.

“Amor, você foi incrível!”, ele disse. E foi mesmo! Como ela foi corajosa!!! E ficaram ali curtindo aquele momento, talvez ainda sem conseguir acreditar ou assimilar tudo o que aconteceu. Depois de um tempinho ela constatou o que alguns já sabiam… menina! Uma vozinha perguntou: “É menina? Então ela tem uma vagina? Deixa eu ver a vagina dela?”. Explosão de risos!

Foi assim que a bebê ainda sem nome nasceu. Em casa, na cama onde foi concebida, cercada de amor e respeito por todos os lados.

Ops… não os apresentei! O nome dela é Luíza, o dele é Hilan e o irmão grande é o Benjamin, também conhecido como Benjoca. Eles formam uma família linda e bem humorada e alimentam o blog Potencial Gestante.