Para 2020, continuidade e afeto

Vinte vinte chegou e com ele toda aquela expectativa de recomeço, de página em branco. Algo meio mágico mesmo. Ainda mais com um número bonito assim… vinte vinte! Entretanto, sem querer quebrar o romantismo, ultimamente tenho sido mais adepta à continuidade do que ao recomeço. A vida é fluida. Não para. Corre como água de rio. Por vezes de forma mais calma, clara, límpida. Por outras, mais agitadas e até violentas. Mas sempre em movimento.

O ano anterior, 2018, havia sido de muitas dores e questionamentos. Nada como perguntas para nos colocar em movimento. Após algumas pausas, senti que 2019 foi um ano para me preparar para bater asas novamente. Não foi de voo como eu acreditava, mas de tomar fôlego. Estudar. Mergulhar mais fundo em minhas próprias águas.

As feridas de 2018 não se fecharam com a simples passagem de ano, obviamente. Foi aí que ficou ainda mais clara a ideia da continuidade. Algumas precisaram de tempo e paciência, outras de perguntas e respostas, outras de mudanças e ação, e ainda restam algumas sem cura. O mais importante dessa história são as ações e mudanças. Percebi que não há como ter resultados diferentes agindo sempre da mesma forma. É preciso agir diferente. Sacudir a poeira e dar continuidade aos planos paralisados.

Naquele malabarismo entre dois trabalhos, casa, família, gatinhas, tive que arrumar brechas para estudar, me preparar, pensar e refletir sobre a fotografia em si, sobre o impacto da fotografia em minha vida, sobre a função da minha fotografia na vida de outras pessoas. Obviamente, as metas que havia traçado se mostraram surreais dentro da minha rotina e nem todas foram alcançadas. Equilibrando pratos no ar, vez ou outra algum cai. Disso eu já sabia. O grande aprendizado (iniciado e ainda em curso) em 2019 é que está tudo bem deixar alguns pratos caírem. Tem horas que se faz necessário até mesmo jogar alguns pratos na parede. Tenho travado uma batalha, se duvidar diária, para aceitar que não tenho que dar conta de tudo. Na verdade, não “tenho que” nada!

Apesar de alguns projetos não terem caminhado no ritmo que eu gostaria, e de outros nem terem saído do papel, acredito que tenha sido um ano de realizações e movimento. Busquei encaixar pausas em meus dais. Entendi a importância de fazer algo que me dê prazer diariamente e que isso não implica em nada muito sofisticado. Pelo contrário. Cada vez mais percebo a felicidade nos momentos mais simples, como tomar um café na varanda de casa, tirar cinco minutos ao menos para brincar com minhas gatinhas, fazer alguma receita gostosa com uma música animada no fundo.

Nessa vibe de autocuidado, pratiquei atividades físicas, tenho tentado tomar mais água e me alimentar melhor (muitas vezes, escorrego), venho cultivando os hábitos da meditação, leitura, e escrita diárias. Nem todos os dias eu consigo, mas persisto. E tá tudo bem.

Fotografei pessoas maravilhosas. Famílias, grávidas, crianças, mulheres que me possibilitaram uma troca muito rica, muito aprendizado. Quando vi, estava sendo sacudida pelos cursos que venho fazendo, pelas conversas com clientes e outros colegas, com as preparações para as aulas de um curso que ministrei com uma amiga e pelos diversos temas que têm aparecido para eu fotografar. Os pontos foram se unindo e tudo convergia para a palavra AFETO.

“Afeto é a disposição de alguém por alguma coisa, seja positiva ou negativa. É a partir do afeto construído que se demonstram emoções ou sentimentos. (…) A raiz vem de afficere, que corresponde a afetar e significa fazer algo a alguém influir sobre. (…) O afeto é um agente modificador de comportamento. Influencia diretamente na forma como pensamos sobre algo.” Fonte: significados.com.br

Quero fotografar aquilo que me afeta de alguma forma. Transpor caixinhas e classificações. Transbordar e ir além. Mostrar para o mundo o que vejo e como vejo.  Quero expandir e ultrapassar os limites da fotografia de família. Na verdade, eu já fazia isso de forma meio tímida, mas só agora tive essa consciência. O que faço é FOTOGRAFIA AFETIVA.

Quero fotografar pessoas que amam seus trabalhos e os querem mostrar para o mundo, amigas em um café, o almoço de domingo, os amiguinhos brincando em um parquinho, aquela tatuagem que você sempre quis fazer, casais em seus cantinhos, amigos que se juntam para assistir um jogo decisivo do seu time, e , mais do que nunca, famílias em sua essência. No cotidiano a vida pulsa e onde a vida pulsa quero estar fotografando aqueles pequenos momentos que importam. Momentos que a gente quer guardar para sempre em uma caixinha, daquelas de sapato onde colecionamos afetos e lembranças.

Isso não quer dizer que não vou mais fotografar grávidas, bebezinhos, partos, festinhas infantis. Muito pelo contrário! A fotografia de família, pra mim, tem se mostrado muito poderosa e de um valor cada vez maior com a passagem do tempo. Me conectando com meus “porquês” cheguei às fotos da minha família e percebi o quanto a fotografia pode ser ferramenta de autoconhecimento e de conexão com nossa própria história, com nossa família. Esses entendimentos só me reafirmaram um modo de retratar as pessoas que venho seguindo desde o início da carreira, que é a minha busca por momentos mais espontâneos e verdadeiros, sem grandes produções de cenários, roupas, acessórios. Em outras palavras, sigo cada vez mais firme naquilo que acredito, pois acho que são as fotos mais espontâneas do cotidiano que vão afetar e criar conexão, trazer emoção. Mais essência e menos estética por estética.

É com esse olhar, cheio de amor, que já anseio pelas histórias que esse ano vai me trazer. Quem sabe nossos caminhos se cruzam e conto a sua história? Desejo um ano incrível para todos nós!

Para ilustrar esse post, um pouquinho do que tenho feito ultimamente.

Oficina de agbê para crianças com as Agbelas na escola Vivendo e Aprendendo

Festa de Natal da aldeia Teko Haw

Festa de aniversário da Fabi e do Juan no dia do jogo do Flamengo, final da Libertadores

Juliana e Talita, amigas há anos, em uma tarde em um café

Thaís e Raíssa, em sua casa, uma semana antes do casamento

Mariana, realizando o sonho de levar sua mãe à África

Chef e pitmaster Pedro Martins no evento Capital Smoke & BBQ Festival, em Brumado – BA

Jaqueline e seu Antônio, para a ONG SOS EBKids, de assistência a crianças com epidermólise bolhosa

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3 respostas para “Para 2020, continuidade e afeto”

  1. Thiago Batista disse:

    Feliz 2020 Popi! É uma imensa satisfação ver você estender a magia de sua câmera por novos territórios e interesses criando assim uma nova dimensão do mundo que nos cerca. Que esse novo ano seja repleto de oportunidades para continuar em suas novas aventuras.

  2. Poxa Thiagão… fico emocionada em ler suas palavras, muito bem vindas nesse meu cantinho. Sei o quanto torce por mim e saiba que é recíproco.
    Que 2020 seja um ano de muitas realizações pra gente!!! Saudades!
    Beijão

  3. José Gomes da Silva disse:

    Olá, Ana Paula!
    Um ótimo 2020 pra você e seus amados, sempre debaixo da maravilhosa graça de Deus! Essa foto dos garotos na corrida de saco, na aldeia Teko Haw, ficou maravilhosa! Parabéns pelo seu trabalho!

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