Parir sorrindo {uma história de parto domiciliar}

No comecinho da gravidez, eles já frequentavam a Roda de Gestantes das doulas Taiza Nóbrega e Joana Andrade. Casal simpático e sorridente que demonstrou desde o início que queria um nascer respeitoso para seu bebê. Entretanto, tinham uma preocupação… Moram em uma cidade que fica a 75 km de Brasília e não conheciam nenhuma equipe de parto domiciliar por lá e tinham notícia de que os partos hospitalares não eram nada humanizados como desejavam. Pesquisaram algumas equipes de Brasília que disseram não ser possível atender em sua cidade, justamente pela distância dos hospitais daqui, caso fosse necessária uma transferência.

Simpatizei tanto com o casal que ofereci minha casa pra eles, se não encontrassem uma alternativa. Eles demonstraram tanta segurança e tanta vontade de ter um parto domiciliar… Não me esqueço da expressão da Cilene quando respondi afirmativamente, no final da Roda, à sua pergunta “Ana, você tava falando sério?”. E vi o sorriso lindo que ela tem se iluminar ali na minha frente. Eu só não sabia ainda que teria a honra de ver esse sorriso tantas outras vezes, inclusive durante o trabalho de parto. As semanas se passaram…

No meio da manhã, Taiza me liga dizendo que Cilene estava em trabalho de parto e que ela iria pra sua casa depois do almoço. O equipamento já estava pronto. Ajeitei a logística de casa, da minha filha, remanejei a agenda, almocei rapidinho e encontrei Taiza, com quem peguei uma carona. No meio do caminho, encontramos a enfermeira obstetra e pegamos estrada.

Eles estavam bem tranquilos e felizes, pois sabiam que seu bebê, cujo sexo ainda era desconhecido, estava perto de chegar. Algumas horas se passaram. Cilene sempre esbanjava seu sorriso lindo entre uma contração e outra. E ali, de longe, vendo o desenrolar do trabalho de parto, não tinha como deixar de vir à cabeça a cena do documentário O Renascimento do Parto em que a parteira Naoli Vinaver diz “Nós gostamos de parir!”.

O bebê estava perto de nascer. A sala é bem espaçosa, mas seguindo sua natureza, Cilene se posicionou em um cantinho ao lado do sofá, voltada pra parede. Cantinho bem apertadinho. A equipe teve que mostrar toda a sua flexibilidade. Literalmente. Me posicionei entre a piscina e a parede, me equilibrando, rezando pra não deixar a câmera cair na água, e procurando um bom ângulo para fotografar o nascimento.

Foi ali, naquele cantinho acolhedor, que Edimar pegou seu bebê e o entregou à mãe. A emoção tomou conta daquele pedacinho da sala. Depois daqueles primeiros momentos de puro êxtase, veio a curiosidade para saber o sexo do bebê. E, quando parecia não caber mais emoção, começou o chororô todo de novo quando ouvimos “É menina! E seu nome será Helena!”.

E tem que ter foto com a fotógrafa também, né? Não dispenso!

Doula: Taiza Nóbrega

Equipe: Humaniza Parto Natural e Nascimento Planejado



2 respostas para “Parir sorrindo {uma história de parto domiciliar}”

  1. Natanielly Felix disse:

    Lindo!

  2. Fellipe Neves disse:

    Estava procurando algumas referências de Parto, pois fotografarei pela primeira vez um parto amanhã, e vou te contar, fiquei muito emocionado com essas fotografias. É essa emoção que você conseguiu passar, essa emoção do momento, verdadeira que busco para essas fotos, o parto será cesário, diferente deste humanizado, mas tenho certeza que dará tudo certo. Obrigado por disponibilizar essa arte para quem procura referências. Parabéns pelo seu trabalho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *