Uma carta para Lorenzo {fotografia de parto}

Pitico,

Você não imagina a felicidade que fiquei quando sua mãe foi lá em casa dando a notícia que tinha um bebezinho dentro de sua barriga. Quando ela foi embora, chorei sozinha, pedindo a Deus que abençoasse vocês e te desse muita saúde. Naquele dia mesmo tive a ideia de fazer pequenos vídeos pra te contar como seus pais estavam felizes durante a gestação, tudo o que acontecia. Queria te contar o quanto sua mãe é especial pra mim. Que quando éramos pequenas, até nossa adolescência, trocávamos cartas. Tenho todas até hoje. Queria te contar as coisas que fizemos juntas. Planejava te ensinar a me chamar de Tia Gata, pois sua mãe me chama de Gata e, como é praticamente minha irmã, me sentia sua tia. Mas, em casa de ferreiro o espeto é de pau. Um dia você vai entender esse ditado. O tempo foi passando e não consegui colocar meu plano em prática.

Quando éramos mais jovens, sua mãe dizia que achava que não ia querer ter filhos. Que não se imaginava acordando cedo e cuidando de crianças. Mas com o tempo, depois que ela se casou com seu pai, esse desejo de ser mãe foi se construindo e tomando força dentro dela. Enquanto você se preparava pra vir, ela também se preparava pra te receber.

Você veio no seu tempo e o período em que viveu no quentinho da barriga da mamãe foi muito tranquilo. Sua mãe ficou ainda mais linda. Ainda bem que pude fotografá-la durante toda a gravidez, pra te mostrar. Seus pais buscaram informações e foram decidindo a forma como gostariam que você nascesse. Eu não queria influenciar, mas estava sempre ali pra tirar dúvidas, de acordo com a minha experiência fotografando a chegada de bebezinhos.

Tenho muitos sonhos, sabe? E um deles foi realizado no dia em que seus pais me deram uma caneca com duas palavras: Super Madrinha. Essa caneca fica guardada num lugar muito especial. Quando passar essa sua fase de malinar em tudo, vou te mostrar. Uma missão grandiosa, que aceitei com o maior amor do mundo. Mudança de planos! Eu não iria mais te ensinar a me chamar de Tia Gata. A partir desse momento eu era a sua Dinda!!!

Tentei estar muito presente, apoiando e respeitando a sua mãe em sua transformação. Você a transformou, pitico! Vi aquela mulher pequena, aparentemente frágil, se tornar um mulherão, mostrando sua força e empoderamento. Ela queria que você fosse recebido com muito respeito, no seu tempo. E assim aconteceu!

Numa quinta-feira você começou a dar sinais mais claros de que estava pronto. Sua mãe sentia cólicas. Foi trabalhar. Nos falamos e ela estava bem tranquila, mas você não imagina o quanto fiquei tensa. Não é todo dia que vemos um afilhado nascer.

Antes de ir pra casa, passei pra comprar um presente pra você. Um balde pra te dar banho, te acalmar nas horas em que estivesse irritado, precisando relaxar na adaptação a esse mundo tão diferente do que você estava acostumado. Mantive contato com seu pai pra saber como estava evoluindo. À noite as contrações estavam mais fortes, mais duradouras e com menor espaço de tempo entre elas. Fui pra sua casa e levei um óleo pra fazer massagem. Sei que sua mãe detesta óleo no corpo, mas acho que a massagem ajudou. Mais tarde, a tia Taiza chegou. Uns dizem que ela é uma doula. Eu digo que ela é um anjo.

Sua mãe, que dizia que achava não ser capaz de sentir muita dor, atravessava cada contração com muita tranquilidade e coragem. Respirava, procurava uma posição mais confortável. Caminhava, ia pro chuveiro, cochilava sentada quando as contrações davam um intervalo um pouco maior. Foi assim a madrugada inteira. No final da manhã, fomos ao hospital pra médica avaliar. Você estava ótimo e bem posicionado. Mas ainda ia demorar um pouco.

Voltamos todos pra casa. Sua mãe conseguiu comer e descansar. Mais tarde as contrações ritmaram novamente. Mais uma noite de massagens, chuveiro, reboladas, respiração. Meia noite em ponto a bolsa estourou. As contrações vieram mais fortes, como tia Taiza já tinha avisado que aconteceria. Suas coisas e da sua mãe já estavam prontas. Fomos pro hospital, onde a médica nos esperaria.

No hospital, conseguimos uma sala com alguns recursos pra auxiliar durante o trabalho de parto. A médica, muito paciente, respeitando todas as vontades de seus pais, ia lá de vez em quando pra ver se estava tudo bem, ouvir seu coraçãozinho. Algumas horas se passaram. Bola, exercícios, banheira, preces. E sua mãe em nenhum momento pensou em desistir. Ela estava muito cansada, mas mostrou o quanto é forte. Acho que nem ela imaginou que tinha tanta força. Meio dia em ponto você chegou! Cabeludo, pequeno, de olhinhos puxadinhos. Estava cansado, pois também tinha trabalhado bastante.

Os pediatras te levaram pra uma outra sala, mas em pouco tempo você estava no colo da sua mãe, mamando, trocando olhares e carinhos. Você não imagina o quanto me emocionei não só em ver seu nascimento, mas em ver a minha prima querida se transformar na mãe que ela é hoje. Um ano se passou, pequeno! E é uma delícia poder estar ao seu lado, vendo seu desenvolvimento, suas descobertas, suas gracinhas. Meu coração pula de alegria a cada vez que você abre seu sorriso de dentinhos separados ao me ver. E quando me chama “Dááááá”… só falto chorar!

Amo você, pitico! Feliz aniversário!!!

Da sua Dinda apaixonada.



Uma resposta para “Uma carta para Lorenzo {fotografia de parto}”

  1. Mônica disse:

    Muito emocionante todo trajetória…zelo e amor de vcs duas e hoje dividem todo amor por esse pequeno…
    Parabéns….
    Felicidades

Deixe uma resposta