Qual o valor da fotografia?

Responder essa pergunta pode parecer impossível para uns, ou ao menos muito difícil para outros. Só sei que fácil não é e nem passa perto disso. Quando falamos em valor, nos vem à mente tanto a ideia de preço como a de apreço. Em ambos os casos, a dificuldade permanece. Como colocar preço naquilo que nos é valioso sentimentalmente?

Quando eu era criança, não tínhamos muitas fotos da família. Pelo menos não como temos hoje com a era da fotografia digital. Talvez por não serem em grande quantidade, eu tenha recordação de quase todas elas. Dia desses precisei de umas fotos antigas para uma atividade e pedi pra minha mãe “aquela foto em que eu estava comendo bolo no meu aniversário” e “uma que adoro em que estava no colo do meu pai”. Minha mãe soube exatamente de quais fotos eu estava falando.

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Sei que era meu aniversário de 4 anos por causa da vela que apareceu na foto.


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A paixão por bolo vem desde pequena. Taí a foto que não me deixa mentir!!!

Os álbuns da minha infância e do meu irmão estão fisicamente com meus pais, mas guardo cada um deles com carinho no coração. Por meio dessas fotos, temos lembranças. Se não fossem as fotos dos meus aniversários, será que eu ia lembrar como eram as festas em casa? Quem eram os meus amigos de infância? As pessoas que estavam presentes? Suas roupas e penteados? Será que muito do que lembro não é por causa das fotos? E o tanto que é bom juntar a família pra ver e rever essas fotos? Considerando que sou praticamente a Dory, as fotografias me ajudam muito a recordar momentos que se passaram.

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Na rede, meu irmão e o Pedro, meu atual companheiro. Já se davam bem desde crianças. Lembranças tão gostosas da casa de nossa avó!

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Uns sete anos atrás, quando estava começando a fotografar profissionalmente, tive a oportunidade de documentar a festa de aniversário de 15 anos de uma prima. A festa foi ótima! Nos divertimos bastante. Fotografei a família, os amigos, a decoração, a banda. Lembro como se fosse hoje de uma foto linda que fiz de um primo de minha mãe com suas filhas no colo. As meninas já eram adultas e não moravam com ele. Então, foi um encontro bem memorável. Um mês depois, esse primo faleceu. Acredito que essa foto tenha sido a última dele vivo. Estava feliz e satisfeito com suas meninas por perto. Qual o valor dessa foto para a família?

Quando fotografamos, estamos guardando memórias. Estamos permitindo que o presente, que logo vira passado, possa ser acessado no futuro. Meio doido isso, não? Colecionando memórias, vamos formando histórias. Mas é exatamente assim que eu vejo e essa possibilidade de gerar memórias foi o que me motivou a fotografar outras pessoas, outras famílias e fazer disso a minha profissão. Da mesma forma como essas lembranças são muito valiosas pra mim, acredito que sejam para outras pessoas. E que gostoso fazer parte disso tudo!

Quando nós, fotógrafos profissionais, fotografamos um evento, um ensaio, um editorial, um espetáculo, não entregamos apenas arquivos de computador em um DVD, pendrive ou por meio de dados que viajam pela internet. Nós estamos entregando história, memórias, lembranças. E não é só isso… estamos entregando essas memórias sob nosso olhar, sob nossa subjetividade, imprimindo a nossa arte e nosso modo de ver o mundo.

Diante disso, não fica difícil concluir que o valor da fotografia é muito variável, justamente por ser um processo bastante subjetivo. Uma fotografia em particular pode não ter valor nenhum para uma pessoa e ser uma preciosidade para outra. Outras fotografias, por sua vez, têm valor imensurável para uma sociedade ou até mesmo para a história da humanidade.

Aí você fotógrafo deve estar pensando… ok, e como estipulo o valor do meu trabalho diante dessa variabilidade e subjetividade? Vamos falar sobre isso no próximo café? 😉



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