Tenho que estudar sobre parto para fotografar um?

#vidadefotografadeparto

Sem querer puxar a brasa pra minha sardinha, mas já puxando, fotografias e vídeos de parto são muito emocionantes… você não acha? Muitas pessoas me relatam terem se emocionado com algum trabalho que eu fiz. Confesso que eu choro editando as fotos, choro revendo os vídeos. É um conteúdo que realmente mexe comigo. E é natural que fotógrafos que se emocionem com imagens de parto queiram passar pela experiência de fotografar partos também. Recebo muitos e-mails e mensagens com esse tipo de relato “queria umas dicas, pois vou fotografar um parto pela primeira vez”, o que tem motivado essa série.

Vejo a fotografia de parto como uma área nova e crescente. Se olharmos para os últimos cinco anos, observa-se um aumento no número de profissionais ingressando no mundo da fotografia de parto. Quando comecei, há sete anos, pesquisava por referências e era muito difícil encontrar algum profissional que fizesse esse tipo de trabalho. Esse movimento no mercado é natural. Os profissionais divulgam seus trabalhos, as pessoas passam a conhecer, quebrar barreiras, admirar e então vem a demanda.

Além da motivação pela emoção do próprio fotógrafo, é bem comum, diante de uma área em crescimento, profissionais enxergarem a oportunidade e quererem entrar nesse mercado. Entretanto, é preciso que haja preparação. A fotografia de parto exige muitas habilidades e características por parte dos fotógrafos, o que falarei em detalhe em um outro café. Assim como acontece em outras áreas, precisamos conhecer bem o tema daquilo que vamos fotografar. Ou seja, precisamos saber sobre parto, seja o tipo que for, no local que for.

Veja aqui esse parto: http://anapaulabatista.com.br/index.php/o-benjoca-virou-o-irmao-grande-fotografia-de-nascimento/

Quando vamos fotografar um casamento, precisamos saber sobre os rituais, seja em cerimônias religiosas ou celebrações apenas civis. Além de conhecermos sobre os procedimentos, precisamos conhecer a subjetividade daqueles clientes ou daquele trabalho específico. Precisamos conhecer o casal para saber o que é importante para eles. Se a decoração foi escolhida por algum motivo especial ou mesmo se foi feita pela própria família. Imagine se a avó da noiva fez os arranjos de mesa e a gente não os fotografa… ponto a menos para nós! E não é isso que queremos, não é verdade?

O mesmo acontece com festas infantis ou ensaios. Se vamos fotografar uma grávida, é bom que saibamos o que a gravidez envolve, não só fisicamente, mas também psicologicamente. Se vamos fotografar uma criança, é importante sabermos as peculiaridades daquela faixa etária, pois fotografia envolve conexão. Se nosso contrato é para uma festa infantil, precisamos saber o que vai acontecer para não perdermos aquilo que é importante.

Com partos não é diferente. Precisamos entender os aspectos fisiológicos, psicológicos, sociais, espirituais, mercadológicos, culturais, entre outros, que os envolvem, e por diferentes motivos. Mesmo sabendo que cada parto tem sua particularidade e que cada parto é único (até pra saber isso, precisamos entender um pouco melhor sobre o assunto), conhecendo o universo dos partos podemos saber o que nos espera em trabalhos futuros. Com toda a imprevisibilidade, quanto mais sabemos o que é possível acontecer, melhor nos preparamos para os imprevistos. Falei sobre isso no primeiro artigo da série #vidadefotografadeparto … você leu?

Entendendo melhor sobre parto, sabemos nos comportar adequadamente, seja em hospitais ou na casa da cliente. Por exemplo, quando estudamos mais sobre as fases do parto, observamos que as mulheres precisam de concentração e foco. Assim, não podemos ficar conversando com ela ou atrapalhando sua concentração. Da mesma forma, não podemos ter reações de pena ou desespero diante de sua dor. Temos que entender que a dor faz parte do processo e que as mulheres que optam por parto normal, na maioria das vezes, têm essa consciência. Ou ainda em uma cesárea, ou mesmo em partos normais hospitalares, existem campos estéreis na sala obstétrica que não podemos tocar para que não haja contaminação, entre outras situações.

Veja aqui esse parto: http://anapaulabatista.com.br/index.php/a-chegada-da-helena-uma-historia-de-parto-domiciliar/

Veja aqui esse parto: http://anapaulabatista.com.br/index.php/o-nascimento-da-manu-fotografia-de-parto/

Se entendemos melhor sobre partos, conseguimos valorizar o nosso trabalho, pois percebemos todas as dificuldades e desafios, ou pelo menos boa parte deles. Percebemos também o poder das imagens que fazemos e o significado delas para nossos clientes. Conseguimos considerar os fatores envolvidos na precificação dos nossos serviços (falei sobre isso de maneira genérica nesse artigo e, se houver interesse, farei um artigo específico para precificação na fotografia de parto). Além disso, sempre que temos conhecimento e segurança em uma área, passamos confiança para nossos clientes e nos comunicamos melhor com eles. Não é muito mais fácil falar sobre o que temos domínio? Temos que ter em mente que nosso trabalho envolve venda o tempo todo.

Existem outros fatores, afinal de contas o tema e a fotografia de parto em si são complexos, delicados e repletos de detalhes. Mas acredito que essas sejam as principais razões, de acordo com minha experiência, pelo menos para introduzir o tema e sensibilizar você – que tem interesse em entrar nesse universo que, apesar de ser cheio de desafios, é extremamente gratificante – para que procure estudar sobre aquilo que vai fotografar e melhore ainda mais o seu trabalho e sua conexão aquilo que está fazendo.

Quando temos mais conhecimento, criamos outro sentido. É muito gostoso quando olho para as fotos que faço para minhas clientes e me encho não só de orgulho, mas também de gratidão por ter presenciado momentos tão valiosos e únicos.

Veja aqui esse parto: http://anapaulabatista.com.br/index.php/maria-clara-pode-vir-parto-domiciliar/
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