Um dia das crianças diferente {oficina de fotografia}

Se tem uma coisa em que eu aposto é em convívio de qualidade entre pais e filhos. No mundo de hoje em que quase todo mundo passa uma grande parte do dia no trabalho, naquela correria louca, é muito importante aproveitar bem o tempo dedicado às crianças. Elas são a materialização da esperança por dias melhores, não?

Foi com esse pensamento que a artesã Alana do ateliê LanArty me convidou pra fazer uma oficina de fotografia para crianças. Cada criança poderia escolher um adulto pra acompanhá-la. A mãe, o pai, a tia, o padrinho, o irmão mais velho… O objetivo era proporcionar um tempinho pra que eles brincassem juntos. Brincassem de fotografar. De cara me encantei com a proposta do projeto e aceitei.

Entre as datas que me foram oferecidas, escolhi o dia delas: 12 de outubro. A minha intenção ao escolher essa data era valorizar a brincadeira, o dia especial, momentos gostosos no lugar do “dia de ganhar brinquedo novo”. E nosso dia começou assim… divertido, gostoso, especial!

Eu sabia que não dava pra abordar assuntos muito técnicos, não só por conta da idade das crianças, mas também pelo nosso tempo que era curto. Mesmo assim eu queria mostrar algumas regrinhas e dicas de fotografia e pra isso levei umas fotos impressas em tamanho grande. Entretanto, o meu maior objetivo não foi apresentar regras, mas sim falar sobre a fotografia como arte e forma de expressão.

Tenho me interessado muito por arte, história da arte e a influência da mesma, em suas diversas formas de apresentação, na fotografia. Acredito que no Brasil, de uma maneira geral, temos uma deficiência no estudo de arte e, quem sabe, na sua apreciação e valorização. Digo isso pela minha própria formação. Um ensino altamente conteudista, voltado pra concorrência do vestibular, mas que deixa um pouco de lado a importância do desenvolvimento da sensibilidade às manifestações artísticas e culturais de cada época. E não acredito que seja somente por conta do sistema educacional formal, mas também por nosso próprio costume. As razões nesse momento não importam. O que importa é que agora eu sinto falta e por isso valorizo as iniciativas que incentivem a veia artística das crianças, seja pela dança, pintura, música, colagem, modelagem, teatro, cinema, fotografia, entre outras formas de materialização da arte.

De vez em quando vejo alguns fotógrafos reclamando pelas mídias sociais da desvalorização da fotografia ou que não são valorizados como artistas. Acredito que isso até pode acontecer, entretanto acredito também que nós fotógrafos temos não só o poder, mas também a responsabilidade de mudar essa visão e mostrar a fotografia como arte. Pra isso temos que estudar, educar nosso olhar e, cada um à sua maneira, incentivar que as pessoas ao nosso redor pensem a respeito.

Tenho muita fé num mundo melhor do que é hoje. Tenho muita fé nas crianças. Tenho muita fé no poder transformador da educação. Mas pra que as crianças de hoje possam construir um mundo melhor amanhã, precisam de orientação, de educação. Daí vem a responsabilidade de nós que já crescemos. E não só dos pais não… Acho que essa responsabilidade é social. De todos nós. Por isso acho o máximo e me emociono com cada projeto voltado para crianças e adolescentes que estimulem a criatividade, a expressão, a arte.

Alinhavando os retalhos da minha colcha, juntando esses pedacinhos de ideias que soltei ao vento, acho que é possível perceber o carinho que tive por essa oficina e a importância que ela teve pra mim. Foi muito gratificante ver as crianças e seus pais procurando novos ângulos e perspectivas. “Tia, olha só esses reflexos que eu fotografei! Tia, olha o que eu escolhi pra representar a primavera! Titiaaaaaa! (esse grito vinha seguido de um pulo no meu colo com direito a abraço bem apertado grudado no meu pescoço)”

Espero que cada um que esteve conosco na manhã do dia das crianças tenha gostado e se divertido como eu!  As famílias que participaram mostraram sua opção em oferecer um dia das crianças diferente a seus filhos e fico imensamente feliz com essa atitude. Agradeço a presença de todos os pais e crianças, a Alana que organizou e cedeu seu ateliê pra ser nosso ponto de apoio, a Lu que foi incrível (ai que orgulho da minha filha! Foi muito mais que minha assistente. Se jogou e brincou com toda a molecada!), ao Marcelo da Quitanda Fácil que nos forneceu um dos seus sucos deliciosos, e a Cris da Mimos e Delícias da Cris que nos ofereceu cupcakes de comer rezando.

Quando era possível eu fotografava. Pena que a maioria dos participantes não autorizou publicação de suas fotos na internet, mas acho que com as fotos aí embaixo dá pra ter uma ideia de como foi divertido e inspirador o nosso dia.  As fotos em que eu apareço (pra quem não me conhece, sou a descabelada que carrega amor no peito) foram tiradas pela Lu.

Que venham outras oficinas! Já estou com várias ideias. :)



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