Uma tarde ensolarada e flamboyants {fotografias de família}

A fotografia é algo que definitivamente mexe comigo. Ou eu que (me) mexo com ela. Todos os dias. Me faz pesquisar, refletir sobre o que me inspira, buscar me conhecer, enxergar as coisas como antes eu não enxergava, assistir filmes de jeito diferente, ouvir músicas imaginando cenas e narrativas, ir a lugares que eu nunca tinha visitado, conhecer pessoas e aquilo que as encanta, imprimir um pouco da minha subjetividade em suas histórias, criar novos vínculos. A fotografia conecta tudo o que eu vivo, o que me influencia, minha visão de mundo em metamorfose ambulante, a forma como fui criada, o que estudei nas universidades, os papos de botecos e cafés, o contato com profissionais que admiro, o que aprendi e tenho aprendido diariamente com a vida. É um universo em que tudo está conectado.

Esse movimento constante fica muito claro pra mim quando faço um novo ensaio de família que já fotografei. Os personagens, ou pelo menos alguns deles, são os mesmos, mas o momento deles é outro. O meu momento é outro. Aquela velha história que um homem nunca entra no mesmo rio mais de uma vez, pois nem o homem e nem o rio permanecem iguais após o encontro. Um trabalho não é melhor ou pior do que o outro, mas são apenas diferentes e essa é a poesia do processo.

Conheci a Naisa e o Caio há quase dois anos. Eles esperavam a primeira filha e planejavam um parto domiciliar. Depois de alguns e-mails trocados, resolvemos nos conhecer pessoalmente para conversarmos melhor sobre o ensaio, sobre a fotografia do parto. Conversa vai, conversa vem, olhando o álbum de ensaio de casal deles, descobri que o fotógrafo do ensaio e do casamento foi um amigo com quem já trabalhei algumas vezes. Assim vamos descobrindo interesses e amigos em comum e no dia do ensaio tudo flui naturalmente. Fotografei o casal esperando a primeira filha. Fotografei o parto da pequena Hynnieh e agora chegou a vez de fotografá-los esperando a Safira. Foi uma delícia ver a Hynnieh toda charmosa e independente, andando pra todo lado, decidindo se ficava séria ou se me fazia uma gracinha com um sorriso. Sabe aquela sensação de receber amigos queridos pra um café em casa? Foi mais ou menos assim que me senti no ensaio… Posso dizer que não tenho clientes, mas sim amigos queridos, daqueles por quem sempre temos carinho mesmo que fiquemos um tempinho sem encontrar.

O calor em Brasília estava desafiando nossa sanidade física e mental, mas nesse dia o universo conspirou e até uma brisa gostosa do lago veio nos agraciar. Nossa tarde foi ensolarada, embelezada por flamboyants, raízes, folhas secas e pelo lago Paranoá.

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Agora vamos esperar a Safira dar sinais de que quer passar pra esse lado do mundo, fora da barriga. E, se tudo der certo, estarei com eles ouvindo seu primeiro chorinho, assim como ouvi o da Hynnieh.



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