Vamos papear sobre Instagram, princípios e regras que nos amarram…

Santiago-25-1

Acho o Instagram uma fonte incrível de inspiração e referências em várias áreas da fotografia. Acompanho muita gente talentosa por lá e estou sempre em busca de novos olhares. Claro que também tem a parte social… acompanho alguns amigos e familiares e uso como mais uma forma de me conectar às pessoas.

Quando iniciei uma conta no aplicativo, o percebia como uma câmera instantânea digital, me remetendo às charmosas polaroides de tempos atrás. Tinha muito a sensação de diário ou caderninho de notas fotográficas, algo bem imediato, ao vivo, sabe? E foi mais ou menos assim que eu conduzi as minhas fotos. Na minha concepção, só valia foto de celular. Era uma forma de exercitar meu olhar, usando uma câmera com menos recursos do que a minha de trabalho.

Rapidamente o Instagram caiu nas graças do povo (porque é muito legal mesmo!) e vi muitos colegas usando o aplicativo como ferramenta para fazer marketing de seus negócios. Abrindo o coração aqui, a sensação que eu tinha era de que uma foto que não fosse feita com o celular seria como alguém roubando o jogo. E seguia firme nesse meu pensamento.

Nas minhas viagens e nos dias de folga, eu quase não ando com minha câmera. Bem raro mesmo (costume que pretendo mudar em breve)! É pesada, chama atenção, tenho medo de ser roubada, de molhar, de bater em algum lugar… essas paranoias que talvez sejam comuns a outros fotógrafos. Então, acabo fotografando muito com o celular. E olha… é impressionante como com um pouquinho de paciência e olhar atento dá pra fazer umas fotos e filmes bem legais com esses aparelhinhos. De vez em quando a gente até arranca um “uau” quando diz que uma determinada foto foi feita com o celular.

Que o celular além de prático (você pode tratar a foto imediatamente e compartilhar nas redes sociais, por exemplo, em questão de minutos) é bastante útil para exercitar enquadramento, composição, momento da foto, não se discute. A intenção também não é discutir qualidade da foto em detrimento do equipamento, que equipamento é só ferramenta e o que vale é o olhar do fotógrafo. O ponto aqui é outro! O assunto que trago hoje é o pensamento que conduz minhas ações, os princípios que carregamos conosco e a mutabilidade ou imutabilidade dos mesmos.

Às vezes eu tinha alguma foto pessoal mesmo, que tinha feito com minha câmera, e pensava “podia postar no Instagram”, mas logo duas coisas me limitavam… A primeira, minha regra de que só valia foto com celular. A segunda era a preguiça danada que tenho do tal programinha pra sincronizar o que está no computador com o celular. Gente! Podia ser mais simples!!! Juntando as duas coisas, desistia.

Quando fazia algum trabalho bacana, que tinha me marcado de alguma forma, tentava sempre que possível fazer uma foto legal com o celular para poder mencioná-lo no Instagram, tendo em vista que eu o tinha como caderninho de memórias e minhas experiências profissionais também fazem parte da minha vida. E uma parte importante dela! Mas aí, eis que um dia desses, diante de um trabalho que eu queria muito divulgar por ter sido muito significativo, me vi num dilema, pois não tinha foto da cena que eu queria postar feita com celular. Só com a câmera.

É muito engraçado como adotamos algumas regras em nossa vida e nem sabemos direito de onde elas surgiram. E essas regras podem nos travar, nos engessar e nos impedir de dar outros passos, conhecer outros caminhos, compartilhar coisas legais, de nos conectar com pessoas bacanas. Me vi diante de uma regra que eu mesma me impus e que estava me amarrando. E quem estava me impedindo? Eu mesma e minha regra besta! Um parêntese… Chamo de besta porque não estava mais fazendo sentido pra mim e pro momento em que me encontro agora. Total respeito a quem pensa da mesma forma como eu pensava antes! Não me entendam mal.

Não é assim que nascem os preconceitos? Ideias que vão sendo repassadas sem questionamento. Cada vez mais na minha vida tenho seguido a filosofia do “E por que não?”. Tenho me permitido ter novas experiências, novos pensamentos e, consequentemente, novos comportamentos. Tenho me libertado mais e tentado estar mais antenada ao que me faz bem e me faz feliz, ao que eu gosto e ao que eu não gosto. Esse processo de reflexão constante (metamorfose ambulante, no meu caso) e de autoconhecimento interferem diretamente em nosso trabalho. Somos artistas e não temos como dissociar a nossa arte daquilo que somos na essência.

Somos seres em constante desenvolvimento. Ainda bem que é assim! Nossos gostos mudam. Nossas referências mudam. Nossa forma de ver o mundo muda. Nossa forma de ver a nós mesmos, a fotografia, o outro também pode mudar. Por que não? Princípios talvez sejam conceitualmente mais estáveis, mas não são absolutos, especialmente se, de alguma forma, entram em conflito com nosso coração. E, nesse caso, vale ao menos o questionamento.

Onde quero chegar com esse papo todo? A lugar nenhum. Quero continuar andando com minhas caraminholas, olhando as belezas e os desafios do caminho e, mudando, se for preciso e pertinente. Um momento de devaneio compartilhado, pois gostaria de saber como outras pessoas pensam a respeito disso tudo. Quem sabe plantar a sementinha do questionamento em pessoas que, assim como eu estava, podem ainda estar se limitando por regras que talvez não façam o menor sentido para elas mesmas. Ou quem sabe o questionamento faça alguém se firmar mais em seus pensamentos e ideias e seguir com a segurança de que aquele é o seu caminho, pelo menos até o momento.

Como é de se esperar depois dessa ladainha toda, resolvi me libertar e postar as fotos que quiser no momento, sejam elas de celular, da câmera, de trabalho, de momentos meus com minha família. Depois de driblar o tal programinha… rs.

Até pensei em criar uma nova conta exclusivamente profissional pra não misturar as coisas, pois me parece a solução ideal para conflitos como o meu, mas me deu uma preguiça de cuidar de mais um perfil, afinal de contas já administro o do Tem Laranja na Cozinha e tem projeto em gestação que muito provavelmente ganhará um perfil no Instagram pra chamar de seu.

E estou achando meu Instagram tão bonitinho!!! Vai lá ver!!!

Ah… e não deixe de me contar o que você pensa sobre tudo isso. Quero trocar ideias, quero pensar junto. 😉



Uma resposta para “Vamos papear sobre Instagram, princípios e regras que nos amarram…”

  1. Não sei por onde começar… Acho que o ideal seria mesmo começar com um abraço. Mas como não dá, fico aqui minha caneca de café que fiz questão de pegar uma rsrs
    Te entendo tão bem… também tenho esse bichinho questionador na minha cabeça que vira e mexe começa a fazer uma obra ou uma reforma em minha mente sem nem antes me avisar – por um lado, ótimo que é assim!
    Que bom que você conseguiu se desamarrar dos seus preconceitos, sempre muito bom quando conseguimos fazer uma releitura de quem somos e quem queremos ser.
    A vida segue em sua evolução e os sentidos vão mudando, os espaços também, mesmo quando não queremos que eles mudem. E nem sempre conseguimos manter congelada a “alma” romatizada do que quer que seja, mudamos a contra gosto ou melhor ainda, mudamos que nem você mudou, o velho ficou antiquado, essa é a melhor mudança, quando algo já não nos cabe mais!
    Um exemplo bobo, até hoje não atualizei o instagram no meu celular porque não quero aquele logo novo deles, gosto muito do antigo, uma forma de não perder a alma do que era.
    Também torço um pouco o nariz com a comercialização do insta, hoje ainda mais com a perda da ordem cronológica e a chegada dos anúncios, virou um novo facebook. Também entrei na dança, fiz contas separadas, mas mesmo assim não consigo fugir da grande maioria de fotos pessoais no lugar de fotos de trabalho na minha conta “profissional”. Vender o que faço me dá preguiça, essa é a verdade.
    Ai sei lá Ana… acho que estou cansada há um tempo disso tudo, dessa enxurrada de imagens que vivemos. E digo imagens abrangendo todos os sentidos, tanto fotos como as imagens (mascaras) que criamos para mostrar para o mundo. Sinto que tudo é comercializado, tudo instantâneo ao alcance de um click, e as vezes nem isso, as pessoas olham mas ignoram.
    Por que as pessoas não comentam mais nos blogs? Onde foram parar os blogs e a interação que havia antigamente? No snapchat deve ser hahah…
    As vezes me sinto uma velha querendo voltar aos tempos da polaroid, do analogico, do instagram só com fotos pessoais, de quando as pessoas comentavam nos blogs, quando as pessoas saiam para tomar um café para trocar idéias e se aprofundar em assuntos ao invés de limitar e substituir as opiniões a um mero botão de “curtir, amei, uau, grr”…
    Fico sem saber se a vida está ficando chata ou se sou eu que estou ficando hahah. Acho que esses são meus preconceitos, uma parte de mim que não consigo desapegar e que ao mesmo tempo não consigo mais ser, vai entender… essa reforma começou mas parece que não vai acabar nunca. Enfim…
    Desculpa mudar de assunto e invadir o seu espaço por aqui… Mas quem mandou? A culpa é sua! Me chamou (indiretamente) para um café? Aceitei o convite 😉

    ps: uso o dropbox para baixar as fotos da minha camera, já tenho um preset de exportação no Lr que cria as fotos em uma pasta diretamente lá no dropbox, e depois pego com o app do drop no celular, super simples 😉

    ps2: “Onde quero chegar com esse papo todo? A lugar nenhum.” – a melhor frase da vida <3

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